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Em “Mas uma coisa é singular na justiça criminal moderna:...

Texto 4 para responder às questões 9 e 10.


1 ____ Desde que funciona o novo sistema penal — o

definido pelos grandes códigos dos séculos 18 e 19 —

um processo global levou os juízes a julgar coisa bem

4 diversa do que crimes: foram levados em suas sentenças a

fazer coisa diferente de julgar; e o poder de julgar foi, em

parte, transferido a instâncias que não são as dos juízes da

7 infração. A operação penal inteira se carregou de elementos

e personagens extrajurídicos. Pode-se dizer que não há nisso

nada de extraordinário, que é do destino do direito absorver

10 pouco a pouco elementos que lhe são estranhos. Mas uma

coisa é singular na justiça criminal moderna: se ela se

carrega de tantos elementos extrajurídicos, não é para poder

13 qualificá-los juridicamente e integrá-los pouco a pouco no

estrito poder de punir; é, ao contrário, para poder fazê-los

funcionar no interior da operação penal como elementos não

16 jurídicos; é para evitar que essa operação seja pura e

simplesmente uma punição legal; é para escusar o juiz de ser

pura e simplesmente aquele que castiga. A justiça criminal

19 hoje em dia só funciona e só se justifica por essa perpétua

referência a outra coisa que não é ela mesma, por essa

21 incessante reinscrição nos sistemas não jurídicos.


FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. RJ: Vozes, 2013, p. 25–26, com adaptações.

Em “Mas uma coisa é singular na justiça criminal moderna: se ela se carrega de tantos elementos extrajurídicos, não é para poder qualificá-los juridicamente e integrá-los pouco a pouco no estrito poder de punir” (linhas de 10 a 14), a conjunção que inicia o período apresenta ideia que


A

corrobora a de que é comum na justiça criminal absorver elementos e personagens extrajurídicos e, por isso, pode ser substituída por “Portanto”, sem incorrer em prejuízo gramatical e semântico.


B

se opõe à de que é comum na justiça criminal absorver elementos e personagens extrajurídicos e, por isso, pode ser substituída por “No entanto”, sem incorrer em prejuízo gramatical e semântico.


C

contradiz a de que é comum na justiça criminal absorver elementos e personagens extrajurídicos e, por isso, pode ser substituída por “Embora”, sem incorrer em prejuízo gramatical e semântico.


D

se diferencia da que é extraordinário na justiça criminal absorver elementos e personagens extrajurídicos e, por isso, pode ser substituída por “Dessa maneira”, sem incorrer em prejuízo gramatical e semântico.


E

explica que é próprio da justiça criminal absorver elementos e personagens extrajurídicos e, por isso, pode ser substituída por “Assim”, sem incorrer em prejuízo gramatical e semântico.