Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de
números 7 a 10.
1. O mantra do momento é
“siga seu coração”. O coração é sábio. Se o coração não palpita,
mude de vida. Ou de trabalho.
2. Antigamente, o
trabalho era apenas um instrumento para garantir o sustento. A ideia de
que o trabalho nos “completa”, nos
“apaixona”, seria incompreensível. Mas não é incompreensível hoje. Se não sentirmos um amor
eterno pela rotina do escritório,
pensaremos em uma derrota existencial.
3. Mas,
se, em matéria de trabalho, o que interessa é cumprir nossa paixão, isso significa
que todos temos uma paixão para
cumprir. Noções de esforço e mérito deixam de fazer sentido. Tudo que interessa é descobrir
nossa vocação. Contudo, conforme
alertam psicólogos, esse raciocínio não sobrevive a uma análise cuidadosa.
4. Em matéria vocacional, a teoria de que aquilo que nos
apaixona já está inscrito no nosso
“DNA existencial” é a teoria dos
românticos, que pulam de trabalho em trabalho em busca da epifania. Se não a encontram, a
frustração aumenta. Para
pesquisadores, pessoas que se refugiam nessa teoria dificilmente encontram a paixão que
procuram. O mundo não é o reflexo
perfeito dos nossos desejos; ele é mais imprevisível e diverso do que nossas fantasias
mentais.
5. Quando nos agarramos a uma ideia fixa
de realização pessoal, não vemos oportunidades de
trabalho alternativas. Pior ainda:
encaramos cada surpresa como um desvio intolerável. Quem acredita na vocação “natural” não
concebe a existência de obstáculos.
Se as coisas não são tão simples como imaginamos, isso só pode significar que estamos no
caminho errado.
6. Moral da história? Não siga
seu coração. Prefira abrir sua cabeça para as possibilidades
que existem — e que sua cabeça nem
sequer imaginava que existiam.
(Adaptado de:
COUTINHO, João Pereira. Disponível em: /www1.folha.uol.com.br)