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Aniversário
Álvaro de Campos
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
(...)
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
(...)
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meus Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
Vocabulário:
algibeira: bolso que faz parte integrante da roupa
As questões de 01 a 04 referem-se ao texto acima.
No verso: “Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...”, o eu poético
sente raiva porque era tão feliz quanto é hoje.
traz o passado “nos bolsos”, o que seria para ele sinônimo de tristeza
guarda lembranças felizes da infância, mas se enraivece porque não quer nada do passado.
sente um forte desejo de vivenciar um presente tão prazeroso quanto o foi seu passado.