Texto
O aproveitamento e a reciclagem do
lixo
[...] Muitas pessoas se preocupam com
o
impacto dos atuais quase 7 bilhões de
habitantes do mundo. Evidentemente
o elevado número de pessoas no Planeta é um
fator de pressão sobre o meio ambiente.
Acontece que a população vai
continuar crescendo até algo em torno de 9
bilhões de habitantes, pois o mundo ainda
tem uma estrutura etária
relativamente jovem. Somente com o
aprofundamento da transição demográfica a
população vai parar de crescer. Mas o
meio ambiente não pode esperar a “inércia
demográfica”. O que fazer então?
Uma
alternativa é diminuir o consumo. Mas,
isto também não é simples, pois existem
bilhões de habitantes que não
possuem condições adequadas de sobrevivência
e lutam por uma vida com mais conforto, com
mais educação e saúde,
com melhores condições de habitação e lazer
etc. A China, por exemplo, é um país que
controlou o crescimento da
população, mas liberou o crescimento do
consumo e já é o maior mercado para
alimentos, moradias, eletrodomésticos,
motocicletas, automóveis, celulares
etc.
Uma população maior, com um
consumo maior,
gera uma montanha maior de lixo e resíduos.
Desta forma, a
produção e o consumo humanos agridem a
natureza duplamente: primeiro sugam os
recursos naturais, depois devolvem
um volume imenso de lixo que volta para a
natureza poluindo os rios, os oceanos, o ar,
os terrenos e degradando o meio
ambiente. Mesmo o lixo recolhido em aterros
sanitários é fonte de poluição e ocupa
terrenos e áreas cada vez maiores em
torno das grandes cidades.
Sem
dúvida precisamos reduzir o consumo
supérfluo per capita da humanidade,
em
especial, daqueles e daquelas
que têm alto padrão de consumo conspícuo.
Também precisa haver uma melhor distribuição
do acesso aos bens materiais
entre e intra os países. Mas uma forma de
mitigar e reduzir os danos do consumo médio
excessivo da humanidade é por
meio de um adequado tratamento e
aproveitamento do lixo.
[...] Em alguns aterros, implantou-se um
sistema de captação de gás metano para gerar
energia. Existem usinas pilotos
(Usinaverde) que são capazes de transformar
30 toneladas de lixo, por dia, em energia
suficiente para atender 20 mil
habitantes.
[...] A própria coleta
do lixo requer um
investimento adequado. O modelo implementado
na cidade de Barcelona tem
servido de exemplo para diversas outras
cidades. O esquema catalão de coleta de lixo
evita as sujeiras das ruas, causadas
por latas de lixo, e evita a circulação de
caminhões e a queima de óleo diesel,
deixando a cidade mais agradável,
silenciosa,
limpa e até cheirosa. O sistema é simples
(mas não barato), a população recolhe o lixo
e o coloca em tubos ligados a um
sugador subterrâneo, que leva o lixo até um
centro de coleta, onde passa por uma triagem
e é transportado para uma
usina de reciclagem, afastada da
cidade.
Desta forma, o aproveitamento
e tratamento
do lixo, desde as residências até as usinas
de reciclagem e produção de
energia, são uma forma de mitigar o impacto
das atividades humanas sobre o meio
ambiente. Sem dúvida, a pegada
ecológica humana pode ter uma redução
considerável se o lixo deixar de ser tratado
na velha acepção da palavra lixo
(restos, entulhos, sujeira, imundície, coisa
sem valor), e, sim, for tratado como insumo
de materiais reciclados e como fonte
de energia.
(José Eustáquio Diniz Alves. O
aproveitamento e a reciclagem do lixo.
Disponível em: http://www.ecodebate.com.br.)