Imagem de fundo

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas...

Instrução: As questões 1 a 10 estão relacionadas ao texto abaixo.


  1. Pessoas que vivem em uma mesma sociedade e em uma mesma época partilham um sistema narrativo. Mais do
  2. que isto, estão inseridas em um regime narrativo. Não se trata exatamente de uma “mentalidade”, segundo a ideia
  3. que Jacques Le Goff propôs no início da década de 1970. Sua premissa, largamente apoiada em Lucien Febvre,
  4. depois duramente criticada, era a ........ pessoas que viviam em uma mesma época tendiam a compartilhar uma
  5. visão do mundo, o que desconsiderava as diferenças culturais engendradas, por exemplo, pelas diferenças sociais –
  6. lembre-se da famosa afirmação ........ César e o último soldado das suas legiões compartilhavam algo.
  7. Se, por um lado, as visões de mundo ou culturas podem variar profundamente de um grupo para outro dentro de
  8. uma mesma sociedade, e se, por outro, é difícil aceitar a operacionalidade da ideia de um “espírito do tempo”
  9. exterior às pessoas e às condições concretas de existência, não se pode negar totalmente ........ os indivíduos que
  10. existem e se relacionam em um determinado tempo têm entre si algo que as conecta no plano da linguagem. Trata-
  11. se, mais do que da língua em si, do complexo sistema através do qual ela organiza a experiência do tempo, ou seja,
  12. a narrativa.
  13. O filósofo Paul Ricoeur chamou a atenção para a identidade narrativa a unir homens de um dado contexto.
  14. Lançando mão da noção de imaginário, refletiu sobre as ferramentas que faziam a ligação entre o “tempo vivido” e o
  15. “tempo do mundo”. Esta sensibilidade dentro da qual um determinado grupo em uma determinada época se forma é
  16. fundamental para a conexão entre a experiência do indivíduo e o pertencimento ao mundo. A percepção da
  17. passagem do tempo e a representação do indivíduo no mundo só podem ocorrer através da narrativa – e esta é,
  18. obviamente, criação humana, estando sujeita, portanto, a variações no tempo e no espaço.
  19. Nos grupos humanos, quem fala algo depende, para a sua aceitação ou compreensão, do que Ricoeur chamou de
  20. “pacto de leitura”, um acordo tácito entre o narrador e o leitor (ou receptor), o que implica a aceitação, por parte da
  21. comunidade, de certos elementos como marcos do discurso no tempo – daí o reconhecimento ........ todo discurso
  22. histórico tem em si um elemento ficcional. Assim, a sucessão de gerações ao longo do tempo, cada qual com a sua
  23. identidade narrativa, seria o que o autor chama de “cadeias de memória”, isto é, de reelaboração narrativa da sua
  24. experiência no tempo.
  25. Outro pensador francês, Pierre Bourdieu, chegou a tratar do que qualificou de “contrato de leitura”. Esta ideia
  26. reforça a noção de que uma determinada geração partilha necessariamente elementos no plano da linguagem que
  27. tornam os seus indivíduos compreensíveis entre si, estabelecendo, através desta identidade narrativa, uma relação
  28. peculiar com o tempo. Para Bourdieu, ao se relacionarem através do discurso, os participantes de uma cultura
  29. lançam mão de “todos os pressupostos do senso comum”.
  30. Não é difícil concluir que esta identidade narrativa vai ser diretamente afetada pela forma através da qual as
  31. pessoas se relacionam com a ordenação discursiva da experiência no tempo. Sabemos que nenhum discurso pode
  32. conter toda a realidade pretérita, uma vez que o passado é composto por situações complexas, e não por textos.
  33. Portanto, uma identidade narrativa pressupõe a escolha de determinados elementos de maneira arbitrária para
  34. ordenamento diacrônico no plano da fala ou da escrita, a partir de critérios que são compartilhados – embora
  35. inconscientemente.

Extraído e adaptado de: ELIAS, Rodrigo.Superinteressante, 30.1.2013. Disponível em: <http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/sobre-perder-tempo>.

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das linhas 4, 6, 9 e 21, nesta ordem.


A

de que – de que – que – de que


B

que – que – que – que


C

que – de que – de que – que


D

de que – que – que – de que


E

de que – de que – de que – de que