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Analise o trecho abaixo: “(...), pois não adianta um...

INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto abaixo e responda às questões de 01 a 13.


A FORMAÇÃO DE UM POVO


1 A formação de um povo pode ser olhada sob vários aspectos. Aqui eu falo da formação cultural,

informação, crescimento, consciência dos direitos e deveres de quem vive numa democracia verdadeira, que

se interesse por um povo formado e informado. Aqui entra primariamente a educação, que venho

comentando sem conseguir esgotar, assunto inexaurível na vida privada de todo cidadão e na existência

5 geral de um povo. É preciso ter em mente que, para os líderes, sejam quais forem, esse deve ser um

interesse primordial em sua atividade.

A mim me preocupa a redução do nível de formação e informação que nos oferecem. Escrevi muito

sobre as cotas com que, em lugar de melhorar a educação pela base, subindo o nível do precário ensino

elementar, se reduz o nível do ensino superior, para que se adapte aos que lá entram mais por cota do que

10 por mérito e preparo, em lugar de ser, como deveria, o inverso. Com isso, nosso ensino superior, já tão

carente e ruim, com algumas gloriosas exceções, piora ainda mais. Vejam-se os dados assustadores de

reprovação, no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, de candidatos saídos dos nossos cursos de

direito. Os exames de igual caráter para egressos de cursos de medicina ainda não apresentam resultado tão

incrivelmente ruim, mas começam a nos deixar alertas, pois esses médicos vão lidar com o nosso corpo, a

15 nossa vida. Estudantes de letras frequentemente nem sabem ortografia, e mais: não conseguem se expressar

por escrito, não têm pensamento claro e seguro, não foram habituados, desde cedo, a argumentar, a pensar, a

analisar, a discernir, a ler e a escrever.

Agora, pelo que leio, parece que vão conseguir piorar ainda mais a situação, pois a meninada só

precisa se alfabetizar no fim do 3.º ano da escola elementar. Pergunto: o que estarão fazendo nos primeiros

20 dois anos de escola? Brincando? Gazeteando? A escola vai fingir que está ensinando, preparando para a

vida e a profissão? E os pais que se interessam, o que podem esperar de tal ensino? Aos 8 anos, meninos e

meninas já deveriam estar escrevendo direito e lendo bastante — claro que em escolas públicas de qualquer

ponto do país onde os governos tivessem colocado professores bem pagos, seguros e com boa autoestima

em escolas nas quais cada sala de aula tenha uma prateleira com livros doados pelos respectivos governos,

25 municipal, estadual ou federal, interessados na formação do seu povo.

Qualquer coisa diferente disso é ilusão pura. Não resolve enviar centenas de jovens ao exterior ou

trazer estudantes estrangeiros para cá, se a base primeira do ensino é ruim como a nossa, pois não adianta

um telhado de luxo sobre paredes rachadas em casas construídas sobre areia movediça. Como não adianta

dar comida a quem precisaria logo a seguir de estudo e trabalho que proporcionasse crescimento real,

30 projetos e horizontes em lugar da dependência de meninos que não conseguem largar o peito materno

mesmo passada a idade adequada.

O que vai acontecer? Com certeza vai se abrir e aprofundar mais o fosso entre alunos saídos de

escolas particulares que ainda consigam manter um nível e objetivo de excelência e a imensa maioria

daqueles saídos de escolas públicas ou mesmo privadas em que o rebaixamento de nível se instalar. Grandes

35 e pequenas empresas e indústrias carecem de mão de obra especializada e boa, milhares de vagas oferecidas

não são preenchidas porque não há mão de obra preparada: imaginem se a alfabetização for concluída no

fim do 3.º ano elementar, quando os alunos tiverem já 8 anos, talvez mais, quando e como serão preparados?

Com que idade estarão prontos para um mercado de trabalho cada vez mais exigente? Ou a exigência

também vai cair e teremos mais edifícios e outras obras mal construídos, serviços deixando a desejar, nossa

40 excelência cada vez mais reduzida?

Não sei se somos um povo cordial: receio que sejamos desinteressados, mal orientados e

conformados, achando que é só isso que merecemos. Ou nem pensando no assunto.


(LUFT, Lya. A formação de um povo. Revista Veja. São Paulo, 10 de abril de 2013.)

Analise o trecho abaixo: “(...), pois não adianta um telhado de luxo sobre paredes rachadas em casas construídas sobre areia movediça.” (Linhas 27-28)

A autora usou uma figura de linguagem para exemplificar a sua fala. A figura usada foi:


A

metáfora.


B

pleonasmo.


C

zeugma.


D

hipérbato.