Deveríamos viver a vida ou capturá-la? (Marcelo Gleiser) 1 Um artigo recente no New Yor...

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Q1456704
Inédita Questão de autoria de um professor do Gran!
Teclas de Atalhos
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Ano: 2019
Banca: Fundação Carlos Chagas - FCC



Deveríamos viver a vida ou capturá-la? (Marcelo Gleiser)

1 Um artigo recente no New York Times explora a onda explosiva de gravações de eventos

feitas em smartphones, dos mais significativos aos mais triviais.

Todos são, ou querem ser, a estrela de sua própria vida, e a moda é capturar qualquer

momento considerado significativo. Microestrelas do YouTube têm vídeos de selfies que se

5 tornam virais em questão de horas.

Há um aspecto disso tudo que faz sentido; todos somos importantes, nossas vidas são

importantes, e queremos que elas sejam vistas, compartilhadas, apreciadas. Mas há outro

aspecto que leva a um desligamento com o momento.

Estarão as pessoas esquecendo de estar presentes no momento, espalhando seu foco ao

10 ver a vida através de uma tela? Você deveria estar vivendo a sua vida ou vivendo-a para que

os outros a vejam?

Deve-se dizer, entretanto, que isso tudo começou antes da revolução dos celulares. Algo ocorreu

entre o diário privado que mantínhamos chaveado em uma gaveta e a câmera de vídeo portátil.

Por exemplo, em junho de 2001, levei um grupo de alunos da universidade de Dartmouth em uma

15 viagem para ver o eclipse total do Sol na África. A bordo havia um grupo de “tietes de eclipse”,

pessoas que viajam o mundo atrás de eclipses. Quando você vir um, vai entender o porquê. Um

eclipse solar total é uma experiência altamente emocionante que desperta uma conexão primitiva

com a natureza. É algo que necessita um comprometimento total e foco de todos os sentidos. Ainda

assim, ao se aproximar o momento de totalidade, o convés do navio era um mar de câmeras e tripés.

20 Em vez de se envolverem totalmente com esse espetacular fenômeno da natureza, as

pessoas preferiram olhar para isso através de suas câmeras. Eu fiquei chocado. Havia fotógrafos

profissionais a bordo e eles iam vender/dar as fotos que tirassem. Mas as pessoas

queriam as suas fotos e vídeos de qualquer forma, mesmo se não fossem tão bons. O que

os celulares e as redes sociais fizeram foi tornar o arquivamento e o compartilhamento de

25 imagens incrivelmente fáceis e eficientes. O alcance é muito mais amplo, e a gratificação (quan-

tos“curtir” a foto ou o vídeo recebe) é quantitativa. As vidas se tornaram um evento social

compartilhado.

Agora, há um aspecto que é bom, é claro. Celebramos momentos significativos e queremos

compartilhar com aqueles com quem nos importamos. O problema começa quando paramos

30 de participar completamente do momento porque temos essa necessidade de registrá-

-lo. Algumas celebridades estão proibindo celulares pessoais durante os seus casamentos.

Nisso podemos incluir palestrar usando o PowerPoint ou o Keynote, como posso afirmar por

experiência própria. Assim que uma tela iluminada aparece, os olhares se voltam a ela e o palestrante

se torna uma voz vazia. Nenhum envolvimento direto é então possível. É por isso que eu tendo a

35 usar essas tecnologias minimamente, para mostrar imagens e gráficos ou citações significativas.



Releia o seguinte trecho:


Algo ocorreu entre o diário privado que mantínhamos chaveado em uma gaveta e a câmera de vídeo portátil (5º parágrafo).


Assinale a alternativa em que o verbo destacado está flexionado no mesmo tempo e modo do sublinhado na frase acima.

A

Estarão as pessoas esquecendo de estar presentes no momento (4º parágrafo).


B

Isso tudo começou antes da revolução dos celulares (5º parágrafo).


C

É algo que necessita um comprometimento total (5º parágrafo)


D

A bordo havia um grupo de “tietes de eclipse” (5º parágrafo).


E

As vidas se tornaram um evento social compartilhado (7º parágrafo).