Imagem de fundo

Na construção da narrativa, revela-se que Autor e Ângela...

Leia o texto para responder às questões de números 41 a 45.


AUTOR – Eu sou o autor de uma mulher que inventei e a quem dei o nome de Ângela Pralini. Eu vivia bem com ela. Mas ela começou a me inquietar e vi que eu tinha de novo que assumir o papel de escritor para colocar Ângela em palavras porque só então posso me comunicar com ela.

Eu escrevo um livro e Ângela outro: tirei de ambos o supérfluo.

Eu escrevo à meia-noite porque sou escuro. Ângela escreve de dia porque é quase sempre luz alegre.

Este é um livro de não memórias. Passa-se agora mesmo, não importa quando foi ou é ou será esse agora mesmo.

(…)

ÂNGELA – Viver me deixa trêmula.

AUTOR – A mim também a vida me faz estremecer.

ÂNGELA – Estou ansiosa e aflita.

AUTOR – Vejo que Ângela não sabe como começar. Nascer é difícil. Aconselho-a a falar mais facilmente sobre fatos? Vou ensiná-la a começar pelo meio. Ela tem que deixar de ser tão hesitante porque senão vai ser um livro todo trêmulo, uma gota d’água pendurada quase a cair e quando cai divide-se em estilhaços de pequenas gotas espalhadas. Coragem, Ângela, comece sem ligar para nada.

(Clarice Lispector. Um sopro de vida)

Na construção da narrativa, revela-se que Autor e Ângela têm algumas preferências


A

opostas e estabelecem entre si uma relação de interdependência, por meio da qual se evidenciam seus questionamentos íntimos.


B

contraditórias e são naturalmente indecisos e apegados às memórias, reforçando a ideia de introspecção psicológica.


C

comuns, notadamente aquelas alinhadas à tranquilidade de suas índoles, o que revela comportamentos previsíveis.


D

excêntricas, e isso se deve à forma pouco entusiasmada como veem a vida, o que permite vislumbrar sem encantamento suas intimidades.


E

ambíguas, fruto de uma concepção de vida pautada no medo de serem autênticos, o que destoa do caráter intimista da narrativa.