Imagem de fundo

O enunciado “Não é ninguém, é o padeiro!” denota que...

1
Q1483469
Teclas de Atalhos
Compartilhar
Ano: 2013
Prova: FADESP - Prefeitura - Agente Administrativo - 2013

LEIA ATENTAMENTE O TEXTO ABAIXO PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 01 A 10.


O Padeiro


  1. Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro
  2. a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro
  3. de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não
  4. é bem uma greve, é um lockout, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno;
  5. acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não
  6. sei bem o que do governo.
  7. Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto
  8. tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha
  9. deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os
  10. moradores, avisava gritando:
  11. – Não é ninguém, é o padeiro!
  12. Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
  13. “Então você não é ninguém?”
  14. Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe
  15. acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra
  16. pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a
  17. pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim
  18. ficara sabendo que não era ninguém...
  19. Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis
  20. detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante.
  21. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada
  22. que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e
  23. muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda
  24. quentinho da máquina, como pão saído do forno.
  25. Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante
  26. porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem
  27. assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na
  28. porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem
  29. entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”
  30. E assobiava pelas escadas.


BRAGA, Rubem. Para gostar de ler. São Paulo: Editora Ática, 1989, p. 63 - 64.

O enunciado “Não é ninguém, é o padeiro!” denota que “padeiro” é uma


A

pessoa de pouca importância.


B

profissão sem qualquer utilidade.


C

profissão reconhecidamente útil e alegre.


D

pessoa alegre, sorridente, mas dada a gracejos.