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INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 4.
Saiba por que o canudinho, vilão ecológico da vez, não merece a má reputação
O canudo de plástico é o vilão da vez. Em defesa do
meio ambiente, alguns restaurantes estão substituindo
o objeto por opções duráveis, ou até mesmo retirando-
os de circulação. No Legislativo, porém, estão surgindo
propostas sem meio-termo: querem banir o objeto de
cidades inteiras, com sanções a estabelecimentos
que desrespeitarem a norma, como em Curitiba e no
Rio de Janeiro. Essas iniciativas que começam a se
multiplicar no Brasil fazem parte de uma onda global
contra o pequeno artefato, que ganhou impulso após
as imagens chocantes de uma tartaruga marinha com
um canudo preso no nariz, em um vídeo que circula
desde 2015.
A quantidade de plásticos que vai parar nos oceanos é
um problema ambiental mundial, e o canudo é um dos
principais itens jogados na costa litorânea, mas a guerra
declarada contra um único produto está banalizando o
debate e escondendo o principal: o responsável pela
poluição não é um objeto e nem o conjunto deles, mas
sim o ser humano, que não sabe dar a destinação correta
aos seus resíduos.
O canudinho é, de fato, desnecessário na maioria dos
casos, e por isso sua demonização ganhou terreno tão
facilmente. Mas a campanha contra é tão forte que já
foi contaminada até por fake news, como as que dizem
que o objeto não é fácil de se reciclar e que, mesmo
quando ele é corretamente jogado fora, pode ser levado
pelo vento, sem dados que embasem essas afirmações.
Mas o canudo, formado basicamente por polipropileno,
um derivado do petróleo, é um item reciclável, e na
economia circular serve de matéria-prima para vários
outros itens de plástico.
Segundo o economista Christian Luiz da Silva, professor
da Universidade Tecnológica Federal do Paraná
(UTFPR), campanhas como a essa contra o canudo
são movimentadas por um interesse comercial que tem
respaldo na defesa do meio ambiente. “Um bar que deixa
de usar canudo passa a ter redução de custos, e isso
cabe bem dentro de um discurso ambiental. Não que
esteja errado, mas é uma gota no oceano”, observa ele,
que realiza pesquisas referentes à gestão dos resíduos
sólidos.
[...]
De todo modo, o uso consciente do canudo e de
qualquer plástico é defendido pelos especialistas.
“Precisamos replicar o comportamento. Se não fixarmos,
vira moda, e só voltaremos a nos preocupar com isso
até que apareça outra tartaruga que nos choque”, opina
Cláudio Gonçalves Tiago, do Cebimar. Ele diz que a
educação é fundamental, no seu sentido amplo, não só
nas questões ambientais. Para Silvia Rolim, o canudo
é um símbolo emblemático, mas só ele não resolve.
“Você pode reduzir o uso de todos os produtos, e com
isso sim, se todos tivermos essa consciência, vai ter
menos lixo no mundo”. Mas todos criticam a proibição e
as penalidades impostas.
[...]
Disponível em: <https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/
saiba-por-que-o-canudinho-vilao-ecologico-da-vez-naomerece-a-ma-reputacao-1xkl89fgu33gzffofghbw7nbq/>.
Acesso em: 22 jul. 2019.
Assinale a alternativa que apresenta o trecho em que a construção argumentativa do texto se dá por um processo de contra-argumentação.
“A quantidade de plásticos que vai parar nos oceanos é um problema ambiental mundial, e o canudo é um dos principais itens jogados na costa litorânea, mas a guerra declarada contra um único produto está banalizando o debate e escondendo o principal [...]”
“O canudo de plástico é o vilão da vez. Em defesa do meio ambiente, alguns restaurantes estão substituindo o objeto por opções duráveis, ou até mesmo retirando-os de circulação.”
“De todo modo, o uso consciente do canudo e de qualquer plástico é defendido pelos especialistas. ‘Precisamos replicar o comportamento. Se não fixarmos, vira moda, e só voltaremos a nos preocupar com isso até que apareça outra tartaruga que nos choque’ [...]”
“Segundo o economista Christian Luiz da Silva, professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campanhas como a essa contra o canudo são movimentadas por um interesse comercial que tem respaldo na defesa do meio ambiente.