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Leia atentamente o texto 1, para responder as questões que se seguem.
TEXTO 1
Antítese do capitalismo
A Economia Solidária pode ser pensada como um modo de produção ideado para superar o
capitalismo. Sendo assim, para entender a lógica da primeira, é preciso examinar a do último.
A pedra de toque do capitalismo é a propriedade privada dos meios de produção, mas não de
qualquer um. Trata-se especificamente dos meios “sociais” que só podem ser operados
5 coletivamente. A propriedade privada de meios “individuais” de produção caracteriza a pequena
produção de mercadorias, não o capitalismo. Agricultores familiares, garimpeiros, artesãos,
catadores de lixo bem como tantos outros trabalhadores, que possuem os próprios meios de
produção, não se confundem com o capitalismo; antes, antepõem-se a ele e tendem a integrar a
10 Economia Solidária. É o que acontece quando se associam, de forma igualitária, em geral para
aproveitar as vantagens pecuniárias de compras e vendas em comum, sem renunciar à autonomia
de produtores individuais ou familiares.
O capitalismo caracteriza-se pela concentração da propriedade dos meios sociais de produção
em poucas mãos. Essa concentração dá-se em consequência da lógica dos mercados competitivos,
pela qual os ganhadores apoderam-se de parcelas crescentes do mercado e do capital total e os
15 perdedores são expulsos do mercado e privados do capital que detinham. Em última análise, a
livre competição leva à sua própria superação, ao ser substituída por modalidades monopólicas ou
oligopólicas de competição.
Na empresa capitalista, todos os esforços dos trabalhadores dirigem-se a um mesmo fim, o de
maximizar o lucro dos donos. Por isso, as relações de produção nesse tipo de empresa tendem a
20 ser autoritárias e antagônicas. Tanto capitalistas como trabalhadores sabem que o lucro é o que
sobra da receita de vendas depois de deduzidas as despesas, entre as quais avultam os salários.
O antagonismo estrutural de interesses é o motor da luta de classe, que marca o relacionamento
entre empregados e empregadores.
A Economia Solidária foi concebida como um modo de produção que tornasse impossível a
25 divisão da sociedade em uma classe proprietária dominante e uma classe sem propriedade,
subalterna. Sua pedra de toque é a propriedade coletiva dos meios sociais de produção. Todos os
que trabalham na empresa solidária são seus donos por igual. E todos os que detêm a propriedade
da empresa necessariamente trabalham nela. Essa última condição nega a possibilidade de haver
uma classe que viva apenas de rendimentos de seu capital, sem tomar parte no trabalho.
30 As relações sociais de produção, no interior da Economia Solidária, pautam-se pela prática da
democracia na tomada de decisões. Isso requer que todos tenham pleno conhecimento do que se
passa com a empresa, não podendo haver, obviamente, “segredo do negócio”, que marca as
relações hierárquicas na empresa capitalista.
A situação do trabalhador, na empresa solidária, é o inverso daquela vivida na empresa
35 capitalista. Nesta, sua responsabilidade limita-se ao cumprimento das tarefas que lhe são
designadas; como empregado, ele está excluído dos resultados da firma, sejam esses positivos
(lucros) ou negativos (prejuízos). Mas, se a empresa sofre prejuízos contínuos, trabalhadores
podem perder parte de sua paga ou o emprego. Desse modo, no capitalismo, o empregado
assume um mínimo de responsabilidade pela empresa, sendo excluído do grosso dos lucros, mas
40 nem sempre dos prejuízos.
Para o bom funcionamento da empresa solidária, a união entre os trabalhadores é essencial.
Como não há hierarquia, disputas e conflitos podem destruí-la. Também não há a supervisão e
vigilância de mestres, contramestres, encarregados e quejandos, cuja missão, na empresa
capitalista, é disciplinar o trabalhador. No empreendimento solidário, em princípio, não deve
45 haver problema de disciplina, pois todos têm interesse no seu sucesso.
SINGER, Paul. Economia solidária como ato pedagógico. In: INEP, Economia solidária e educação de jovens e adultos. Brasília: Inep, 2005. p. 13-20. Disponível em: http://www.inep.gov.br/pesquisas/publicações. (Adaptado) Acesso em: 15 maio 2019.
Do ponto de vista de sua tipologia, o texto 1 é predominantemente explicativo porque se caracteriza pelos
enunciados de identificação de fenômenos que são encadeados por relações lógicas no presente atemporal, sendo o locutor um observador dos fatos por ele apresentados.
elementos dêiticos que fazem referência a seus interlocutores, apresentando sequências textuais transacionais com função de abrir com eles uma interação.
acontecimentos em sucessão que são ordenados cronologicamente, compondo uma unidade temática construída com elementos indicadores de tempo passado.
enunciados no tempo presente que evidenciam o ponto de vista de seu locutor, buscando mudar a visão de seu interlocutor sobre a tese por ele defendida.