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Esta questão considera a argumentação adotada no texto...

Atenção: Para responder às questões de números 6 a 15, considere o texto abaixo, conferência pronunciada por Joaquim Nabuco a 20 de junho de 1909 na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos.



1 Viajando uma vez da Europa para o Brasil, ouvi o

finado William Gifford Palgrave, meu companheiro de me-

sa, escritor inglês muito viajado no Oriente, perguntar ao

comandante do navio que vantagem lhe parecia ter

5 advindo da descoberta da América. Por sua parte, não

lhe ocorria nenhuma, salvo, apenas, o tabaco. Foi a pri-

meira vez que ouvi exprimir essa dúvida, mas anos de-

pois vim a comprar um velho livro francês, de um Abbé

Genty, livro intitulado: L’Influence de la découverte de

10 L'Amérique sur le bonheur du genre humain, e soube en-

tão que a curiosa questão havia sido proposta seriamente

para um prêmio pela Academia de Lyon, antes da Revo-

lução Francesa, e que estava formulada do seguinte mo-

do: "Tem sido útil ou prejudicial ao gênero humano a des-

15 coberta da América?". O trabalho de Genty não passa,

em seu conjunto, de uma declamação oca, onde não há

nada a colher além da esperança que o autor exprime na

regeneração da humanidade pela nova nação americana.

Na independência dos anglo-americanos, vê "o sucesso

20 mais apto a apressar a revolução que reconduzirá a felici-

dade à face da Terra". E acrescenta: "É no seio da Repú-

blica recém-nascida que se acham depositados os verda-

deiros tesouros destinados a enriquecer o mundo". O li-

vro merece por isso ser conservado, mas a época em

25 que foi escrito, 1787, não permitia ainda que se pudesse

avaliar a contribuição do Novo Mundo para o bem-estar

da humanidade. Era já a aurora do dia da América, mas

nada mais senão a aurora. George Washington presidia à

Convenção Constitucional, porém a influência desse

30 grande acontecimento ainda não fora além do choque

causado ao Velho Mundo. Ainda não produzira a Revolu-

ção Francesa. Sua importância não podia por enquanto

ser imaginada.

Há na vida das nações um período em que ainda

35 não lhes foi revelado o papel que deverão desempenhar.

O feitio que a influência romana tomaria não podia ser

previsto nem nos grandes dias da República. Uma con-

versa entre César e Cícero sobre o papel histórico da

Gália ou da Bretanha não poderia levar em conta a

40 França ou a Inglaterra. Hoje mesmo, quem poderia dizer

algo de essencial sobre o Japão ou a China? Do Japão,

pode-se afirmar que, para o mundo exterior, está apenas

na aurora. Quanto à China, continua velada na sua longa

noite, brilhando apenas para si própria. Na história da

45 humanidade, a impressão de qualquer um deles poderá

sequer imaginar-se? Mas já se pode estudar a parte da

América na civilização. Podemos desconhecer suas

possibilidades no futuro, como desconhecemos as da

eletricidade; mas já sabemos o que é eletricidade, e

50 também conhecemos a individualidade nacional do vosso

país. As nações alcançam em época determinada o

pleno desenvolvimento de sua individualidade; e parece

que já alcançastes o vosso. Assim podemos falar com

mais base que o sacerdote francês nas vésperas da

Revolução Francesa.

(A parte da América na civilização. In Essencial Joaquim Nabuco. org. e introd. Evaldo Cabral de Mello. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2010, p. 531/532)

Esta questão considera a argumentação adotada no texto, proferido no início do século XX. No primeiro parágrafo, o autor, ao fazer referência


A

(linha 6) ao tabaco, pontua a intolerância que fundamenta seu juízo sobre a República recém-nascida: (linhas 27 e 28) Era já a aurora do dia da América, mas nada mais senão a aurora.


B

(linhas 12 e 13) à época em que foi proposta a questão para um prêmio da Academia de Lyon − antes da Revolução Francesa − sinaliza a então pertinência da reflexão implicada no tema.


C

(linha 1) à viagem da Europa para o Brasil, comprova o conhecimento in loco das realidades internacionais comentadas no texto, conhecimento que assegura credibilidade a todas as suas ponderações.


D

(linhas 11 e 12) à questão proposta para o prêmio da Academia de Lyon, objetiva apontar a falta de originalidade da obra de Genty, motivo da avaliação negativa recebida pelo livro do autor francês.


E

(linha 28) a George Washington, objetiva desqualificar o valor atribuído à Convenção presidida pelo americano, no que se refere ao impacto que produziu no contexto do Velho Mundo.