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Para responder às questões de 01 a 09, leia o texto abaixo.
O garçom, o cão e os direitos humanos
1 A cena inusitada se deu em um restaurante. Eu
2 acabara de pedir a conta e, enquanto esperava, fazia
3 anotações em uma caderneta. O garçom, velho
4 conhecido, me pergunta:
5 - E aí? Preparando uma. ..
6 - Não - eu disse, explicando que estava listando
7 tópicos para um debate sobre direitos humanos para o
8 qual fora convidado.
9 - Direitos humanos? Sou contra! - exclamou o
10 garçom, com o cenho franzido.
11 Eu levei um susto. Perguntei a ele como alguém
12 pode ser contra os direitos humanos. E só então percebi
13 o tamanho do ____.
14 - Esse pessoal dos direitos humanos vive
15 defendendo os bandidos sem se importar com as
16 pessoas de bem!
17 A reação amarga e _____ do garçom, sujeito boa
18 praça e brincalhão, é a prova de um tipo de corrupção que
19 se tornou praga no Brasil: a da linguagem. A expressão
20 "direitos humanos" foi destituída de seu sentido original
21 para virar um aparato, um grupo, uma instituição - uma
22 "coisa" talvez seja a palavra mais adequada - que existe
23 "para ir lá e defender os bandidos".
24 É essa linguagem corrompida que fabrica clichês,
25 reforça o senso comum e produz variações como "direitos
26 humanos só para os humanos direitos", "onde estavam
27 os direitos humanos quando aquele pai de família foi
28 morto?", "os direitos humanos não apareceram pra
29 defender aquela moça que foi estuprada", etc, etc, etc ...
30 A prosperidade dessa, digamos, interpretação do
31 significado da expressão direitos humanos é
32 especialmente dura para um repórter que entende o
33 jornalismo não apenas como um conjunto de técnicas que
34 permitem a mediação entre os fatos e os leitores,
35 telespectadores ou ouvintes. Jornalismo é, sobretudo,
36 uma forma específica de conhecimento. Ou seja, é no
37 campo do conhecimento que estamos perdendo a
38 batalha da linguagem para as formulações tacanhas do
39 atraso. Inevitável o sentimento de derrota. Onde estamos
40 falhando? O que fazer para proteger a integridade da
41 linguagem?
42 Conhecer o mundo é se apropriar de um conjunto de
43 conceitos que foram produzidos pela experiência humana
44 através dos tempos. Esses conceitos são expressos pela
45 linguagem. A apropriação das palavras e de seus
46 significados denota justamente a apropriação do mundo
47 concreto. Então, zelar pela inteireza da linguagem, do
48 significado das palavras, é zelar pelo conhecimento
49 acumulado pela humanidade, patrimônio simbólico de
50 todos nós e, ____ , uma vitória da civilização sobre a
51 barbárie. Eu trabalho com linguagem. Defendê-la contra
52 sua distorção, portanto, é também uma tarefa minha
53 como jornalista.
54 Imbuído dessa missão, e ciente de que precisava de
55 mais e melhores argumentos para convencer meu amigo
56 garçom de que ele estava sendo enganado pela corrupção
57 da linguagem, peguei meu celular, dei uma busca no
58 Google até achar uma conhecida charge do cartunista
59 André Dahmer. Chamei meu camarada e mostrei o
60 desenho: era um cachorrinho falando para outro
61 simplesmente o seguinte: "sou contra os direitos dos
62 animais!".
63 - Que Cusco burro! - divertiu-se o garçom, de supetão,
64 para depois cair em si e coçar a careca.
65 Paguei a conta e fui embora feliz de ter ao menos lhe
66 deixado uma pulga atrás da orelha.
Autor: Marcelo Canelas (adaptado).
Na oração Defendê-la contra sua distorção, portanto, é também uma tarefa minha como jornalista (l.51-53), o termo sublinhado é classificado como:
Conjunção coordenada alternativa.
Conjunção coordenada conclusiva.
Conjunção subordinada causal.
Conjunção subordinada consecutiva.
Conjunção subordinada comparativa.