Há flagrante emprego de linguagem figurada na seguinte...
Leia o texto para responder às questões de números 01 a 03.
Música Inesperada
Fui fazer uma fala em Volta Redonda. Me disseram
que antes haveria um concerto com uma orquestra de
50 violinos. Fiquei surpreso porque Volta Redonda é
cidade do aço, e aço parece que não combina com violino.
Quando a orquestra entrou no palco, fiquei assombrado:
crianças. Crianças do povo: negras, mulatas,
brancas. Tocaram como profissionais. A sua concentração,
atenção e disciplina me comoveram. Disso estou
convencido: as crianças só são indisciplinadas quando
são obrigadas a fazer o que não desejam. Aí o responsável
me contou que aqueles 50 violinos eram apenas
uma fração de uma orquestra de 150 violinos que já
tocou até no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Houve gente que criticou o projeto, alegando que
violino não era instrumento do povo. Povo tocando
violino, Händel e Bach? Instrumento do povo é cavaquinho,
bumbo, pandeiro... Contaram-me ainda de um
outro projeto: corais cantando pelas ruas, nas horas da
madrugada... Isso em Volta Redonda, cidade do aço.
E em Campinas, cidade de Carlos Gomes? Sempre
é tempo para acordar os instrumentos guardados em
cima de armários e de sair pelas ruas! Tempo para
corais cantarem pelas madrugadas silenciosas...
Rubem Alves. Quarto de badulaques.
São Paulo: Parábola Editorial, 2003, p. 93-94.
Há flagrante emprego de linguagem figurada na seguinte passagem:

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