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Seu amor pelos livros era uma coisa viva. (2º parágrafo) O...

Texto: O FILÓSOFO DA PASSAGEM


Recebo, de Alexandrino de Souza, da Universidade Federal da Paraíba (UFP), o pequeno e precioso livro de apresentação do projeto livraria de Montaigne, exibido em João Pessoa no ano de 1999, e depois em 2007, na mesma UFP, e fruto de pesquisa na Biblioteca de Bordeaux, na França. Trata-se de um passeio pelo universo do pensador francês Michel de Montaigne (1533-1592). "Num tempo de intolerância, de banalização da violência, de desrespeito ao meio ambiente, é de todo atual o pensamento de um humanista, observando a relatividade das coisas humanas preconiza que a arte de viver deve se inspirar no bom senso, no espírito de tolerância, no respeito à natureza, na verdade e na justiça", diz em seu inspirado prefácio, Neroaldo Pontes de Azevedo ex-reitor da universidade.

Por que reencontrar, duas décadas depois, o projeto e Souza. A razão é simples: em nossos tempos tão tortuosos, ele se oferece como estupenda porta de entrada ao pensamento de um escritor que a cada século, se torna mais atual. Montaigne criticava a educação livresca baseada na memória. Ao contrário, valorizava, antes de tudo, a experiência. Seu amor pelos livros era uma coisa viva; Como se sabe, no ano de 1571, aos 38 anos, o filósofo se retirou do mundo para um pequeno castelo, na Dordonha, na França. Em sua célebre torre, ele instalou um escritório que era também uma biblioteca. Dedicou-se, então, a redigir a maior parte de seus célebres ensaios, que tiveram sua primeira edição em 1580.

Um amigo com quem eu comento meu interesse por Montaigne me diz, surpreso: "Mas só você mesmo! O mundo fervilhando e você voltado para o século XVI". Esse amigo, me parece está preso a um presente contínuo, um presente perpétuo, que nunca se esgota, de onde. não só o passado, mas também o futuro, estão banidos. Não será esse um dos males do século XXI? Para o filósofo, ao contrário, o mundo está em interminável movimento: "Não pinto o ser. O que pinto é a passagem" . Para Montaigne, o Eu era a única forma que se abre para a filosofia e por isso se torna o centro de suas reflexões.

Volto ao delicado trabalho de Alexandrino de Souza que lembra: "Montaigne dizia que não havia tarefa mais difícil e penosa do que conhecer a si próprio". Nada parecido com o Eu cheio de si, que brilha hoje nas redes sociais, na mídia e nas selfies. Continua: Ele foi o primeiro autor moderno a alcançar, a partir de sua individualidade e experiência uma dimensão universal''. Justamente o universal que hoje nos escapa e está muito a em e todas as selfies, blogs confessionais e páginas de Facebook.

Como via o homem detido nas ideias que foi capaz de formular ao longo dos séculos, Montaigne mandou gravar frases de grandes pensadores nas vigas que sustentavam sua biblioteca. Registrou, por exemplo, a célebre sentença do poeta romano Terêncio (185-159 a.C.): "Sou um homem e considero que nada de humano me é estranho'' Em uma época de especialização e de segmentação, essa frase nos leva de volta a uma vida mais completa, sem exclusões, assim como sem ilusões. Transcreveu, também, uma frase do médico e filósofo grego Sexto Empírico (séculos lI e IlI d.C.): "Permaneço em dúvida". Diante da febre das certezas e das pregações que atulham nossos dias, e que só levam ao fanatismo, só a dúvida pode nos guiar.


JOSÉ CASTELLO Adaptado de http://rascunho.com.br/o-filosofo-dapassagem/, março/2019.

Seu amor pelos livros era uma coisa viva. (2º parágrafo)


O verbo da frase indica uma ação durativa ocorrida no passado, o que é expresso pelo seguinte tempo e modo verbais:


A

pretérito perfeito do indicativo


B

pretérito imperfeito do indicativo


C

pretérito mais-que-perfeito do indicativo


D

pretérito imperfeito do subjuntivo