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Leia o texto abaixo para responder às questões de 01 a 09.
Progresso
1 O menino moderno, familiarizado com o computador, ficou curioso sobre como eram as
2 coisas no trabalho de seu pai no tempo em que não havia computadores. O pai, entusiasmado
3 com a súbita curiosidade do filho, pôs-se a campo para encontrar sua velha Olivetti portátil,
4 amante esquecida, abandonada – e ele nem sabia ao certo onde ela estava. Depois de muito
5 procurar, encontrou-a dentro de uma mala velha cheia de tranqueiras. Tirou-a da sepultura,
6 limpou-a, conferiu as teclas e alavancas, e também as fitas metade preta metade vermelha,
7 colocando-a então no mesmíssimo lugar sobre a mesa onde vezes sem conta eles estiveram
8 juntos.
9 “Como é que funciona pai?” – o menino perguntou. “É assim que funciona”
10 respondeu o pai. A seguir colocou uma folha de papel sulfite no rolo, ajustou as margens e
11 começou a “daquilografar” (era assim que meu pai falava) umas frases soltas. Ao ver a
12 maquina em ação, o menino fez um “oh” de espanto. “Que máquina mais adiantada, diferente
13 dos computadores. É só digitar as letras que o texto sai impresso”.
14 O que me fez lembrar um texto divertidíssimo de Cortázar, que se chama, se não me
15 engano, “A história das invenções”. Só que tudo acontece não de trás para frente mas da frente
16 para trás. A história começa num vôo de supersônico de Nova York a Paris. Três horas. Aí os
17 homens inteligentes, pensaram que o prazer da viagem poderia ser aumentado se os aviões,
18 em vez de voarem a uma velocidade acima da velocidade do som e a uma altura de quinze
19 quilômetros, passassem a voar a uma velocidade de 400 quilômetros por hora a uma altura de
20 três quilômetros. Assim poderiam ficar muito mais tempo longe do trabalho e ver os rios,
21 bosques e vilas... E assim vai acontecendo a história das invenções, sempre ao contrário e
22 sempre melhor... Até que, depois de muito progresso, a invenção dos navios a vela não
23 poluentes e das bicicletas que fazem bem ao coração, os homens inventam a mais fantástica
24 de todas as invenções: eles inventam o “andar a pé”...
ALVES, Rubens. Do universo à jabuticaba. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010, p. 173-174.
A justificativa para o uso das aspas não é adequada em
“daquilografar” (linha 11) → ressaltar pronúncia particular de palavra.
“andar a pé” (linha 24) → destacar uso não convencional de expressão.
“Como é que funciona pai?” (linha 9) → indicar a fala de um personagem.
“A história das invenções” (linha 15) → assinalar o título de uma publicação.