AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
- Você já pensou em como seria lucrativo vender um produto sem ter concorrência, sem guerra de preços e sem precisar
- se preocupar com a qualidade?
- Isso é o protecionismo.
- Enquanto poucos se beneficiam, muitos pagam caro por isso. O protecionismo gera ruína para os consumidores mais
- pobres e para as pequenas e médias empresas dependentes de equipamentos importados. Ele explora e impõe severas perdas à
- população. É como um câncer que, a partir de uma única célula doente, se espalha infectando setores saudáveis, comprometendo
- o funcionamento de todo o sistema.
- Além de espoliar toda a população, o protecionismo protege os incompetentes, garantindo ganhos vultosos para
- esses empresários beneficiados com uma reserva de mercado. Por meio de um decreto, o governo — que diz pensar no bem da
- população — se utiliza de seu poder para ir exatamente contra os interesses dessa população, estabelecendo acordos de benefício
- mútuo entre governo e empresários beneficiados.
- Existem dois tipos de protecionismo: o de estatizar os meios de produção e fechar o mercado para empresas
- estrangeiras (medida socialista) e o protecionismo de compadrio entre empresas e o poder público, que estabelece as oligarquias.
- O maior entrave à livre transação entre os habitantes de dois países distintos é a política. Mais especificamente, a
- pressão sobre o governo, feita por lobbies da indústria nacional, para se impor tarifas de importação sobre os produtos
- estrangeiros e, com isso, desestimular os habitantes nacionais de importar bens do exterior.
- Trata-se de um lobby para suprimir a concorrência via imposição de tarifas de importação. Se você quer comprar bens
- americanos, europeus ou chineses, a indústria nacional fará um lobby para que o governo dificulte — e até mesmo proíba —
- essa sua liberdade, obrigando-lhe a comprar apenas seus produtos.
- Mas o protecionismo não se dá apenas por meio de tarifas de importação. Há também as regulações, as quais ajudam
- exatamente os grandes já estabelecidos.
- Regulações sempre dificultam tanto os negócios com o exterior como também o empreendedorismo no mercado
- interno. Abrir um novo negócio, uma pequena ou média empresa, é como entrar num campo minado de regulamentação. Cumpri-
- las impõe altos custos, e não segui-las causa desde multas a ações judiciais. Grandes empresas, já estabelecidas no mercado e já
- íntimas do emaranhado regulatório, não se preocupam tanto com a burocracia, uma vez que ela representa barreiras artificiais à
- entrada de novos concorrentes, o que reduz em muito a concorrência potencial.
- Neste quesito, grandes empresas odeiam o livre mercado e adoram a regulação.
- Brasília tornou-se a capital dos lobbies. Políticos se digladiam por recursos de empresas para abastecer suas próximas
- campanhas. Em troca dessa gentileza, aprovam medidas provisórias (MPs) e projetos de lei (PLs) visando a beneficiar
- determinada empresa ou setor em detrimento dos interesses da população. Tais medidas protecionistas beneficiam indústrias
- nacionais ineficientes que não teriam sucesso num ambiente competitivo.
- Uma empresa que não se preocupa em inovar, e que mantém o mesmo produto inalterado por muito tempo, recorre
- ao governo para manter seu market share quando empresas externas começam a vender um produto melhor no mercado nacional
- e seu lucro começa a cair pelo fato de os consumidores migrarem para um produto melhor e mais barato.
- Uma empresa que se tornou ineficiente tem duas alternativas: modernizar-se ou escolher o caminho mais curto e mais
- fácil, a saber, pedir ao governo para fechar o mercado enquanto continua ofertando qualidade inferior à população.
- O caminho mais curto resulta em tarifas, impostos mais altos e barreiras não-tarifárias (BTNs) que restringem
- a quantidade de produto importado (como as chamadas "licenças de importação"), por meio da qual um importador deve solicitar
- a autorização de agências reguladoras para importar um produto e cumprir com diversas exigências complexas, inteligentemente
- elaboradas para dificultar a liberação de licenças.
- Ao se sustentar formas ineficientes de fazer negócios, o consumidor será sempre prejudicado. Barreiras a produtos
- importados resultam em aumento de preços de matérias-primas e até de bens de consumo como TVs, laptops, sofás,
- eletrodomésticos, celulares, carros.
- O aumento de preço de uma única matéria-prima importada causa uma avalanche de aumentos nos mais variados
- setores da economia. A indústria de metais nacional recorreu diversas vezes ao governo para sobretaxar metais importados,
- medida que impacta toda a indústria que depende deste material: fabricação de pontes, navios, carros, máquinas, geladeiras,
- peças automotivas, casas, panelas, latinhas de cerveja etc. Qualquer obra ou produto que utilize metais terá de repassar o aumento
- do seu custo ao produto final.
- Concomitantemente, em vez de termos uma indústria ineficiente, teremos muitas indústrias caras, isoladas da cadeia
- de produção global, blindadas da concorrência e pouco competitivas.
- Protecionismo cria indústrias ineficientes e uma economia moribunda. Ao proteger negócios ultrapassados que
- naturalmente não conseguem competir, criamos uma economia estagnada e antiquada, pois sem competitividade não há incentivo
- à inovação.
- A correção para esse cenário é reduzir as barreiras. Mas haverá inevitáveis consequências de curto prazo.
- Em um mercado protegido, a abertura comercial será um choque sobre a economia. Uma das consequências em se
- adotar o livre mercado tardiamente é provocar desemprego durante a readequação do mercado. Empresas sofrerão até conseguir
- se renovar e se adaptar à pesada competição. A concorrência entre trabalhadores nacionais e estrangeiros levará alguns setores
- da economia ao declínio (efeito de curto prazo). Já a redução de preços dos bens e serviços, que passarão a ser importados
- livremente, será imediata, ocasionando redução no custo de vida da população em geral.
- Ao passo que, com o desemprego, salários poderão vir a sofrer redução, as importações liberadas levarão a um
- inevitável declínio nos preços de bens e serviços. Consequentemente, sobrará mais dinheiro para se gastar com outros produtos
- e serviços, o que resultará em aumento da demanda, do lucro e de vagas de empregos em outros setores da economia. Ou seja,
- haverá uma melhor realocação de recursos.
FONTE: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2550