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A ironia que rege esse texto nasce da convicção do autor de...

Atenção: Para responder às questões de números 6 a 10, baseie-se no texto abaixo.


A Idade da Comunicação

Foi-lhe posto o nome de Idade da Comunicação porque nela sucedeu a confusão da linguagem de toda a Terra. Ainda ficaria mais certo dizer: “das linguagens”, incluindo na confusão as comunicações orais, escritas, iconográficas, tácteis etc.


Considerável parte da humanidade fala ou arranha o inglês. Intérpretes bem treinados reproduzem com fidelidade os pensamentos de antípodas. As notícias dão volta ao mundo antes que uma dona de casa faça chegar a uma vizinha a cortesia de um pedaço de bolo. Uma pessoa pode ocupar todas as horas do dia informando-se do que se passa no resto do mundo. As palavras básicas de todas as comunidades e nações são as mesmas: paz, amor, liberdade, fraternidade, justiça, democracia...


Mas a comunicação não se estabelece. Dizemos paz e fazemos a guerra. Proclamamos o amor e puxamos as armas. Os continentes brigam, as raças se hostilizam, e o próprio idioma utilizado dos governos para com o povo sofre distorções. Apenas em um setor a eficiência da comunicação costuma atingir o ótimo: os produtos de consumo, mesmo quando inoperantes, são regularmente vendidos. Estamos por dentro, cada um de nós, cheios de ligações erradas, de informações falsas ou equívocas. Nossas paixões famélicas não se comunicam com o nosso tíbio amor pelo conhecimento da verdade; nosso egoísmo não nos transmite sinal algum do que se passa com o próximo em naufrágio. É a Idade da Comunicação.



(Adaptado de CAMPOS, Paulo Mendes. O amor acaba. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 174-175)

A ironia que rege esse texto nasce da convicção do autor de que,


A

salvo no caso do universo do consumo, a propalada Comunicação é de fato uma confusão da linguagem de toda a Terra


B

como considerável parte da humanidade fala ou arranha o inglês, é razoável que se reconheça uma Idade da Comunicação.


C

em virtude de nossas paixões famélicas, empenhamo-nos ao máximo em nossos modernos mecanismos de comunicação.


D

por conta de tantas informações falsas ou equívocas, alimentamos um tíbio amor pelo conhecimento da verdade.


E

apesar de estar alguém próximo em naufrágio, deixamos de considerar essa sua condição por força do nosso egoísmo.