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TEXTO I
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Violência: presente e passado da história
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-----Vilma Homero
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---------------Ao olhar para o passado, costumamos imaginar
----que estamos nos afastando dos tempos da "barbárie pura
----e simples" para alcançar uma almejada "civilização",
----calcada sobre relações livres, iguais e fraternas, típicas do
5---homem culto. Um olhar sobre a história, no entanto, põe em
----xeque esta visão utópica. Organizado pelos historiadores
----Regina Bustamante e José Francisco de Moura, o livro
----Violência na História, publicado pela Mauad Editora com
----apoio da FAPERJ, reúne diversos ensaios que mostram,
10--ao longo do tempo, diferentes aspectos da violência,
----propondo uma reflexão mais demorada sobre o tema. Nos
----ensaios reunidos no livro, podemos vislumbrar como,
----desde a antiguidade e ao longo da história humana, a
----violência se insere, sob diversos vieses, nas relações de
15--poder, seja entre Estado e cidadãos, entre livres e
----escravos, entre homens e mulheres, ou entre diferentes
----religiões. "Durante a Idade Média, por exemplo, vemos
----como a violência se manifesta na religiosidade, durante o
----movimento das Cruzadas. Ou, hoje, no caso dos
20--movimentos sociais, como ela acontece em relação aos
----excluídos das favelas. O sentido é amplo. A desigualdade
----social, por exemplo, é um tipo de violência; a expropriação
----do patrimônio cultural, que significa não permitir que a
----memória cultural de determinado grupo se manifeste,
25--também", prossegue a organizadora. (...) A própria palavra
----"violência", que etimologicamente deriva do latim vis, com
----significado de força, virilidade, pode ser positiva em termos
----de transformação social, no sentido de uma violência
----revolucionária, usada como forma de se tentar transformar
30--uma sociedade em determinado momento. (...) Essas
----variadas abordagens vão aparecendo ao longo do livro.
---------------(...) Na Roma antiga, as penas, aplicadas após
----julgamento, ganhavam um sentido religioso. Despido de
----sua humanidade, o réu era declarado homo sacer. Ou
35--seja, sua vida passava a ser consagrada aos deuses.
----Segundo a pesquisadora Norma Mendes, "havia o firme
----propósito de fazer da morte dos condenados um
----espetáculo de caráter exemplar, revestido de sentido
----religioso e de dominação, cuja função era o reforço,
40--manutenção e ratificação das relações de poder." (...) O
----historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva é um dos
----que traz a discussão para o presente, analisando as
----transformações políticas do último século. "Desde Voltaire
----até Kant e Hegel, acreditava-se no contínuo
45--aperfeiçoamento da condição humana como uma marcha
----inexorável em direção à razão. (...) O Holocausto,
----perpetrado em um dos países mais avançados e cultos à
----época, deixou claro que a luta pela dignidade humana é
----um esforço contínuo e, pior de tudo, lento. (...) E,
50--sobretudo, mais de 50 anos depois da II Guerra Mundial, a
----ocorrência de outros genocídios – Ruanda, Iugoslávia,
----Camboja etc. – leva a refletir sobre a convivência entre os
----homens nesse começo do século XXI." O historiador
----prossegue: "De forma paradoxal, a globalização, conforme
55--se aprofunda e pluga os homens a escalas planetárias, é
----fortemente acompanhada pelo localismo e o particularismo
----religioso, étnico ou cultural, promovendo ódios e
----incompreensões crescentes. Na Bósnia ou em Kosovo, na
----Faixa de Gaza ou na Irlanda do Norte, a capacidade de
60--entendimento chegou a seu mais baixo nível de tolerância,
----e transpor uma linha, imaginária ou não, entre bairros
----pode representar a morte." Como nem tudo se limita às
----questões políticas e às guerras, o livro ainda analisa as
----formas que a violência assume nas relações de gênero,
65--na religião, na cultura e aborda também a questão dos
----direitos humanos, vista sob a perspectiva de diferentes
----sistemas culturais.
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(http://www.faperj.br/?id=1518.2.4. Acesso em 05 de março de 2018.)
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TEXTO II
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Gabriel, o Pensador
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----Que tiro foi esse?
----Não, não vou cair no chão, pelo menos agora
----Eu também sou brincalhão, mas brincadeira tem hora
----Lá fora, no meu Rio, cada vez mais gente chora
5---E cada vez mais gente boa tem vontade de ir embora
----O Rio que a gente adora comemora o carnaval
----E a violência apavora, ou você acha normal?
----A boca que explode, o silêncio do medo
----O suspiro da morte banal
10--O lamento de um povo que implora
----Por uma vitória do bem sobre o mal
----Atenção: confusão, invasão
----Tiroteio fechando a avenida outra vez
----Muita bala voando e acertando
15--Até mesmo as crianças; às vezes, bebês
----Criança, meu irmão, não é estatística, é gente
----(...)
----E os valores são invertidos
----Se o desonesto é malandro
20--O menor também quer ser bandido
----Alguns, né, a minoria.
----(...)
----A mãe desmaiou no enterro
----Você não desmaiaria?
25--Que força você teria pra enterrar o seu garoto?
----Que forças ainda temos
----Pra nos amar uns aos outros?
----E nos armar de indignação por justiça e educação
----(...)
30--Pra que essas crianças não tenham morrido em vão
----Sofia, Maria Eduarda, Caíque, Fernanda
----Arthur, Paulo Henrique, Renan
----Eduardo, Vanessa, Vitor
----Esses foram ano passado
35--Quem será que vai ser amanhã?
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(https://genius.com/13846436. Acesso em 24 de fevereiro 2018)
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TEXTO III
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“Para que ninguém a quisesse”
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---------------Porque os homens olhavam demais para a sua
----mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e
----parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a
----atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os
5---decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos
----armários tirou as roupas de seda, da gaveta tirou todas as
----jóias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se
----acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe
----os longos cabelos.
10-------------Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava
----duas vezes, homem nenhum se interessava por ela.
----Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E
----evitava sair. Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de
----ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos
15--cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras. Uma
----fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus
----dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado
----que tivera por ela. Então lhe trouxe um batom. No outro dia
----um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim
20--para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos. Mas ela tinha
----desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais
----em lhe agradar. Largou o tecido em uma gaveta, esqueceu
----o batom. E continuou andando pela casa de vestido de
----chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.
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(COLASANTI, Marina. Um espinho de Marfim & outras histórias. Porto Alegre: L&PM, 1999, p. 88 - 89.)
Tendo como base as atitudes tomadas pelo ‘homem’ no texto, podemos atribuir-lhe características como as citadas abaixo, EXCETO
Inseguro e egoísta.
Autoritário e insensível.
Amoroso e preocupado.
Machista e desumano.