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Para responder às questões 39 a 42, leia este poema de Manoel de Barros:
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá
onde a criança diz: Eu escuto a cor dos
passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz
de fazer nascimentos
O verbo tem que pegar delírio.
(BARROS, Manoel de. Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010.)
A genealogia da poesia está marcada, no poema, por duas palavras: “descomeço” e “começo”. Tendo isso em vista, indique a interpretação coerente com a poética de Manoel de Barros:
Há, no poema, uma crítica severa à origem da linguagem, de acordo com a tradição religiosa. Isso mostra que a poética de Manoel de Barros marca a supremacia do homem e a desvalorização das coisas.
Nota-se, no poema, um jogo de inversões de sentidos e uma crítica exclusiva à instituição escolar, pois a poética de Manoel de Barros se baseia no didatismo e no moralismo.
O poeta faz referência a duas genealogias: a religiosa e a antropológica. Mas não demonstra, em todo o poema, qualquer crítica infundada às instituições religiosa e escolar. O tom utilizado, no poema, é lúdico.
O poeta enfatiza o “delírio” do verbo em vários momentos históricos, inclusive antes do aparecimento do homem na Terra.
Para o poeta, poetizar é “pegar delírio”, que significa “escrever com maturidade”.