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Texto 1 – A locomotiva desacelera
Desde a virada do século, a China cumpre o papel de locomotiva da economia mundial. Agora, porém, a locomotiva desacelera, talvez bruscamente, encerrando um longo ciclo que se caracterizou pelo boom das commodities e, ainda, por uma expansão acelerada das chamadas “economias emergentes”. Descortina-se uma nova paisagem econômica e geopolítica.
Sob o impacto da desaceleração chinesa, os “emergentes” enfrentam baixas taxas de crescimento ou, como nos casos extremos da Rússia e do Brasil, profundas recessões. Ao mesmo tempo, os fluxos de investimentos estrangeiros mudam de direção, trocando os “emergentes” pelos Estados Unidos. No longo “ciclo das commodities”, desenvolveu-se a tese de que os Brics constituiriam um polo econômico e político capaz de contrabalançar o poder dos Estados Unidos. Tal tese é uma vítima ilustre da transição global que está em curso. (Mundo, outubro de 2015)
O título dado ao texto 1 exemplifica linguagem figurada; nesse título ocorre:
uma comparação, a partir de uma semelhança, entre a China e uma locomotiva;
uma substituição eufemística da palavra “China” pela palavra “locomotiva”;
um evidente exagero ao mostrar a velocidade da economia chinesa em comparação com a das modernas locomotivas;
uma maneira atenuada de referir-se à decadência da economia chinesa com o verbo “desacelerar”;
uma substituição da palavra “maquinista” pela palavra “locomotiva”.