Imagem de fundo

Releia este trecho do texto 1: “– Fala de novo! Mas...

Texto 1 - CHUMBINHO


01 ___ Miguel chegava de bicicleta ao Colégio Elite bem no meio da algazarra da entrada dos alunos.

Estacionou no pátio e viu que a seu lado chegava um camaradinha uns dois anos mais novo, alegre

e simpático como ele só. Também largou sua magrela ao lado da de Miguel e perguntou:

– Oi! Você é o Miguel, não é?

05 ___ – Sou – Miguel respondeu, achando graça. – E você, quem é?

– Me chamam de Chumbinho...

Enquanto Miguel tirava a mochila do bagageiro e a encaixava entre os ombros, o menino

Chumbinho corria na direção de um tumulto perto do portão da escola, zoeira grande demais mesmo

para a algazarra normal daquele horário. Miguel logo o seguiu e viu uma roda de alunos que

10 provocavam um menino de uns sete anos que... que chorava!

O grupo ria, arreliava e humilhava sadicamente o pobrezinho, pois parecia que o choro do

garoto era o que eles queriam que acontecesse.

– E aí, Gaguinho?

– Fala de novo! Mas be-be-bem de-de-va-va-ga-ga-ri-rinho, hein?

15 ___ – Ha, ha, ha! Quero ver esse pouca-fala na hora da chamada oral!

– Ga-ga-gá! Ga-ga-guinhôôôôô!

O sangue subiu à cabeça de Miguel. Estava pronto para intervir quando o tal Chumbinho

antecipou-se: era bem menor do que os provocadores, mas avançava para o meio da roda, passava

um braço pelo ombro do garotinho choroso, punha a outra mão na cintura, desafiadoramente, e

20 levantava a voz:

– O que-que-que es-tá-tá a-a-a-con-con-te-te-cendo? Que co-var-di-dia é e-e-essa? Tá to-to-do

mun-mundo ma-ma-luco, é?

Como por encanto, no grupo de gozadores baixou um silêncio de cemitério. Logo no portão de

entrada, um dos lugares mais barulhentos de qualquer escola! Os provocadores empalideciam,

25 recuavam, e um deles falou, quase gaguejando também:

– O que é isso, Chumbinho? Você não é gago...

– Nã-não so-sou, é? Po-por que não po-posso se-ser? E se-se eu for, hein, hein, hein? Vai

que-querer me go-gozar, va-vai?

O rapaz baixava os olhos, amedrontado.

30 ___ “Amedrontado, por quê?” pensava Miguel, cheio de admiração. Afinal de contas aquele garoto

a quem chamavam de Chumbinho não parecia um brigão, e era bem menor do que os gozadores.

Seu físico não meteria medo em ninguém!

– Puxa, Chumbinho... – desculpava-se o outro, que, pelo jeito, deveria ser o líder da

provocação. – A gente só estava de brincadeira...

35 ___ Chumbinho enfureceu-se:

– De brincadeira?! De brincadeira, você diz? Então por que não brinca assim comigo?

– Vocês não têm a menor vergonha? Esse menino acabou de ser transferido para cá e é assim

que vocês mostram a cara dos alunos do Elite?

Os outros calavam-se, baixavam as cabeças, disfarçavam, alguns procuravam esgueirar-se

40 para longe do problema, e nenhum deles conseguia encarar o menino Chumbinho, sempre de

queixo erguido, decidido feito herói de revista em quadrinhos.

De repente, os curiosos que cercavam a cena e que primeiro a haviam presenciado só para ver

aonde aquilo ia chegar, prorromperam em aplausos entusiasmados, em gritos, como se seu time

predileto tivesse acabado de marcar o gol da vitória:

45 ___ – Aí, Chumbinho!

– Mostrou pra eles!

– Viva o Chumbinho! (...)

O herói do dia, ainda sob aplausos, começo a afastar-se, conduzindo o novato, que agora não

mais chorava.

50 ___ – Viva o Chumbinhôôôô! – aplaudiam todos.

Chumbinho, de cabeça erguida, piscou na direção de Miguel ao passar por ele.

(Pedro Bandeira. A droga da amizade 1. ed. São Paulo: Moderna. pp. 27-30)



Texto 2 – MAMÃE CATITA


O mundo cão jamais será o mesmo. Para o bem. Mora na rua Operário Campista, na cidade fluminense de Campos, uma cadela vira-lata que todo mundo chama de Catita. E mora também na rua um empertigado pitbull que atende por Wolf (lobo em inglês). Eis que Catita pôs Wolf para correr e fez dele um pit-lata. Ele atacava, na quarta-feira, 24, o garoto de quatro anos Lucas Martins (duas cirurgias no rosto) quando Catita, que amamentava cinco filhotes, entrou para a história. Teve o dorso mordido, teve parte da orelha arrancada, mas salvou Lucas, que continua assustado e repete sem parar: “Catita matou o cachorrão”. Matar não matou, mas fez o lobo chispar. A dona de Catita, Elizabeth Tavares, é tia do garoto.


(Isto É On Line, 1535, 3 mar. 1999)



Texto 3 -


Imagem associada para resolução da questão

Imagem associada para resolução da questão

Imagem associada para resolução da questão

Imagem associada para resolução da questão

Chico Bento: é cuidando, Maurício de Sousa. São Paulo: Panini comics, n 47, março de 2019. p. 5-19



Texto 4: LIÇÃO DE CADA HERÓI


Imagem associada para resolução da questão

Imagem associada para resolução da questão

https://revistacrescer.globo.com/Criancas/Comportamento/noticia/2016/08/em-defesa-dos-super-herois.html



Texto 5: HERÓIS DA VIDA REAL


01 Eu acredito em heróis

de carne, osso e suor.

Heróis que acertam e erram,

heróis de uma vida só,

05 heróis de alma e de corpo

que um dia vão virar pó.


Os verdadeiros heróis

vivem histórias reais,

não são estrelas famosas,

10 não estampam os jornais,

são como eu e você,

seres humanos mortais.


É aquele professor,

que ensina o aluno a ler.

15 É alguém que mata a fome

de quem não pode comer.

Herói é quem faz o bem

sem nenhum superpoder.


É aquele que trabalha

20 todo dia honestamente,

o agricultor no campo

debaixo de um sol quente,

o médico no consultório

salvando seu paciente.


25 É um bom policial

arriscando a própria vida

pra que a sociedade

esteja bem protegida,

um voluntário na guerra

30 distante de sua terra

cuidando de uma ferida.


É quem dá um bom conselho

a quem tá desesperado,

é quem indica um emprego

35 pra qualquer desempregado,

é quem simplesmente abraça

quem tem que ser abraçado.


Herói é o diferente

que luta por igualdade,

40 é quem cobra dos políticos

respeito e honestidade,

é quem enfrenta a mentira

com o poder da verdade.


Não espere por medalhas,

45 Homenagens de ninguém.

A consciência tranquila,

de que você fez o bem,

é muito mais valiosa

que os aplausos de alguém.


50 Pra ser um super-herói

não é preciso voar,

tampouco ser imortal.

Essa vida vai passar,

e é cada gesto seu

55 que vai lhe imortalizar.


Herói sou eu, é você,

é essa gente do bem,

que peleja todo dia

para se salvar também.

60 Que entende que a união

talvez seja a solução

e que isso nos conforte.


Que esse povo unido

consciente e destemido

65 é um herói bem mais forte.

www.tudoepoema.com.br/braulio-bessa-herois-da-vida-real/

Releia este trecho do texto 1: “– Fala de novo! Mas be-be-bem de-de-va-va-ga-ga-ri-rinho, hein?” (linha 14). Sobre o uso do hífen pode-se


A

evidencia que o falante é gago, atribuindo um valor cômico ao texto.


B

deixa clara a pronúncia pausada do falante, a fim melhorar a compreensão.


C

imita a fala de um gago, atribuindo um valor de sarcasmo ao texto.


D

marca um desvio gramatical, prova de desconhecimento da língua pelo falante.


E

destaca a separação silábica de modo a explicitar o sentimento de raiva do falante.