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O texto apresentado possui características estruturais que

Texto I para responder às questões de 01 a 10.


Uma ponte entre Paris e Mariana: devemos ser “humanos” e “críticos”


asdA cada tragédia, as redes sociais são tomadas, de um lado, por imediatas manifestações de solidariedade e, de outro, por críticas legítimas que questionam por que algumas tragédias sensibilizam mais a opinião pública mundial do que outras.

asdTais posições não são, a meu ver, antagônicas. Aliás, me parecem perfeitamente conciliáveis. Podemos e devemos ser “humanos” e “críticos”, sempre e ao mesmo tempo.

asdComparar tragédias para deslegitimar a indignação em curso com algo que acabou de ocorrer é estúpido, pois toda violência injusta deve comover. Outra coisa é indagar as razões pelas quais os meios de comunicação controlados por pequenos grupos decidem que determinados sofrimentos são mais lamentáveis do que outros. Isso pode ser feito sem comparação de tragédias.

asdQuestionar os regimes hegemônicos de visibilidade e de sensibilização, que definem em última instância quem são as vítimas e a quantidade de empatia que elas merecem, não significa relativizar a gravidade de um acontecimento ou não compartilhar sinceramente da dor dessa tragédia.

asdAssim, é mais do que justa e necessária a enorme reação de líderes mundiais e na imprensa em torno dos atentados do último final de semana em Paris. Foram assassinatos brutais e covardes de civis que merecem toda a indignação.

asdO questionamento, portanto, não é por que tanta comoção com Paris. Mas por que ainda tão pouca informação, visibilidade, sensibilização e empatia com outras tragédias dos nossos tempos, como a que começou em Mariana/MG ou mesmo os atentados reivindicados pelo Estado Islâmico em Beirute.

asdNesse particular, vale pontuar que o atentado em Paris não é o responsável pelo viés colonizado da imprensa brasileira e por sua generosidade com empresas grandes como a Vale. As mídias tradicionais já não estavam dando a devida atenção ao crime ambiental desencadeado em Mariana muito antes da tragédia na França. Então, mais adequado é discutir democratização da comunicação e controle social da mídia ao invés de gastar energia com o concurso virtual de tragédias.

asdNão se trata, assim, de fazer um ranking das desgraças ou uma fila das prioridades do sofrimento humano. Não tem vítima que valha mais ou menos, seja de primeiro ou de terceiro mundos.

asdSolidarizar‐se com vítimas da França não faz de ninguém colonizado. De outro lado, é bastante perigoso insinuar que o ataque à França significou uma espécie de retribuição merecida pela violência do colonialismo ou por outros males que o Estado francês promoveu na ordem internacional.

asdSem dúvidas, a França foi uma potência colonial com todas as barbaridades que isso implica. Mas o Estado brasileiro já teve seus arroubos subimperialistas, de Guerra do Paraguai à ocupação do Haiti, isso sem falar na violência institucional cotidiana e sistemática contra populações marginalizadas aqui dentro do nosso território. Ou seja, em se tratando de Estados nacionais, violência é um sobrenome mais ou menos universal, e o Brasil não é exceção. Se validarmos, em qualquer grau, uma ação terrorista como aquela ocorrida na França, basta um passo para um raciocínio ampliativo legitimar a mesma coisa por essas bandas.



(Renan Quinalha. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br/home/2015/11/uma‐ponte‐entre‐paris‐e‐mariana‐devemos‐ser‐humanos‐e‐criticos/.)

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Texto II para responder às questões de 11 a 12.



Imagem associada para resolução da questão



(Disponível em: http://bibliocomics.blogspot.com.br/2010_07_01_archive.html.)


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Texto III para responder às questões de 13 a 15.


E agora, José?



A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, você?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?


Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?


E agora, José?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio — e agora?


Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?


Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse...

Mas você não morre,

você é duro, José!


Sozinho no escuro

qual bicho‐do‐mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José!

José, para onde?



(Carlos Drummond de Andrade. Disponível em: http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond14.htm.)

O texto apresentado possui características estruturais que


A

se assemelham ao texto I.


B

indicam a mesma ironia vista no texto II.


C

apresentam conteúdo, de forma objetiva, complementar ao apresentado no texto I.


D

se difere não apenas quanto à forma dos textos I e II, mas também quanto aos recursos linguísticos utilizados.