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Perfeitos. Somos?
Não somos perfeitos, mas buscamos a perfeição nos outros;
Reiteramos “verdades absolutas”, mas nem mesmo sabemos interpretar a
nossa verdadeira essência.
Não somos belos o suficiente, e buscamos a beleza idealizada no outro.
(Afinal, o que é ser belo?)
Afirmamos a existência de um Deus onipotente, onipresente, onisciente,
Entretanto, queremos nós mesmos definir e julgar o propósito do outro.
Falamos de amor, união e fraternidade,
Todavia, definimos aqueles que são “os escolhidos”;
Chegamos a pronunciar “obrigado”, no entanto, esquecemo-nos
De exercer a verdadeira gratidão.
Quanto mais religiosos nos tornamos, menos espirituais
Ficamos. Já por outro lado, quanto mais
Espiritualidade buscamos, menos religiosidade queremos,
E mais aptos ficamos para exercer o “servir ao outro”
Sem se justificar. Na busca pelo futuro promissor,
Pela ciência a cada dia desvendando mistérios,
Oferecendo mais praticidade, revelando tudo o que nos falta.
Mas o que nos falta então?
Olhar para nós mesmos, bem para dentro de nós,
Para o centro de nosso ser
E olhar para aquele que está à nossa frente
E perceber que não somos só,
Nem somos sós
Somos nós e os nossos entornos. Somos.
Volto a perguntar: “O que nos falta?”
Talvez um espelho
Um espelho que nos mostre que somos tão importantes
Quanto o outro, e não mais importantes do que o outro.
Outros de nós mesmos.
(MENDONÇA, Tulius – Entreatos – Páginas Editora)
Nos últimos versos, o poeta conclui:
Que somos todos significativos, sem distinção, ou seja, importantes um para o outro sem grau de hierarquia.
Somos todos diferentes e singulares, e devemos reconhecer a importância de alguns em relação à gente.
Somos todos repletos de potencialidades, entretanto devemos reconhecer que há uma hierarquia em poderes de um em relação ao outro.
Somos de etnias distintas, e devemos proteger aqueles que pertencem ao nosso grupo específico.