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A música “Disparada” (Texto 01) foi inscrita no Festival da...

TEXTO 01


Disparada

Geraldo Vandré/Theo de Barros


Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar

Eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão

Eu venho lá do sertão e posso não lhe agradar

Aprendi a dizer não, ver a morte sem chorar

E a morte, o destino, tudo, a morte e o destino, tudo

Estava fora do lugar, eu vivo pra consertar


Na boiada já fui boi, mas um dia me montei

Não por um motivo meu, ou de quem comigo houvesse

Que qualquer querer tivesse, porém por necessidade

Do dono de uma boiada cujo vaqueiro morreu


Boiadeiro muito tempo, laço firme e braço forte

Muito gado, muita gente, pela vida segurei

Seguia como num sonho, e boiadeiro era um rei

Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo

E nos sonhos que fui sonhando, as visões se clareando

As visões se clareando, até que um dia acordei


Então não pude seguir valente lugar-tenente

E dono de gado e gente, porque gado a gente marca

Tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente

Se você não concordar, não posso me desculpar

Não canto pra enganar, vou pegar minha viola

Vou deixar você de lado, vou cantar noutro lugar


Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui rei

Não por mim nem por ninguém, que junto comigo houvesse

Que quisesse ou que pudesse, por qualquer coisa de seu

Por qualquer coisa de seu querer ir mais longe do que eu


Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo

E já que um dia montei agora sou cavaleiro

Laço firme e braço forte num reino que não tem rei

A música “Disparada” (Texto 01) foi inscrita no Festival da Record de 1966, e defendida pelo intérprete Jair Rodrigues.


Pode-se inferir da letra que o “eu-lírico”:


A

Contesta, com seus versos, a alienação por que passa o povo (“boi”), mas não sinaliza para a capacidade de tomada de consciência daqueles que são oprimidos.


B

Releva indignação com o comportamento das pessoas (“gente é diferente”), uma vez que, ao não se permitirem ser “ferradas”, assumem uma postura alienada acerca da realidade.


C

Pede licença para cantar “as coisas” que irá “contar: o direito à terra e a viver dela, em uma defesa explícita da reforma agrária.


D

Assume uma postura crítica da realidade, em uma linguagem metafórica, no combate às opressões e às injustiças sociais, muito bem sintetizada no trecho “num reino que não tem rei”.


E

Defende a tomada de consciência daqueles tidos como oprimidos em uma sociedade marcada pela exclusão e opressão, mas se percebe incapaz de transformar sua própria condição de “boi” (oprimido / manobrado).