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Leia o fragmento do poema a seguir de Cruz e...

Leia o fragmento do poema a seguir de Cruz e Souza.


Antífona

Ó Formas alvas, brancas, Formas claras

De luares, de neves, de neblinas!

Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...

Incensos dos turíbulos das aras


Formas do Amor, constelarmante puras,

De Virgens e de Santas vaporosas...

Brilhos errantes, mádidas frescuras

E dolências de lírios e de rosas ...


Indefiníveis músicas supremas,

Harmonias da Cor e do Perfume...

Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,

Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume...


Visões, salmos e cânticos serenos,

Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...

Dormências de volúpicos venenos

Sutis e suaves, mórbidos, radiantes...


Infinitos espíritos dispersos,

Inefáveis, edênicos, aéreos,

Fecundai o Mistério destes versos

Com a chama ideal de todos os mistérios.


Do Sonho as mais azuis diafaneidades

Que fuljam, que na Estrofe se levantem

E as emoções, todas as castidades

Da alma do Verso, pelos versos cantem.

[...]

(CRUZ E SOUZA, In: MOISÉS, Massaud.)

Pode-se afirmar que:


A

O objetivo poético é apresentado de forma direta e apurada conforme o modelo da estética parnasiana.


B

No poema, pode-se reconhecer características da poesia simbolista como a busca pelo vago, a mistura de sensações e a musicalidade.


C

Há uma sutil comparação entre o fazer poético e o trabalho feito com perfeição, apresentando como recurso o emprego da metalinguagem.


D

O poeta recorre a elementos da musicalidade com o objetivo de tornar o poema mais claro, compreensível e objetivo ao seu interlocutor.