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À TELEVISÃO
Teu boletim meteorológico
me diz aqui e agora
se chove ou se faz sol.
Para que ir lá fora?
A comida suculenta
que pões à minha frente
como-a toda com os olhos.
Aposentei os dentes.
Nos dramalhões que encenas
há tamanho poder
de vida que eu próprio
nem me canso em viver.
Guerra, sexo, esporte
me dás tudo, tudo.
Vou pregar minha porta:
já não preciso do mundo.
(PAES, José Paulo. Prosas seguidas de odes mínimas. São Paulo: Companhia das letras, 1992, p. 71)
Acerca do poema acima, é correto afirmar:
A televisão, apesar de trazer diversas funcionalidades no cotidiano das pessoas, não mudou em nada o comportamento delas.
O poema fala do alto grau de confiança que as pessoas têm nas previsões do tempo.
O poema fala do impacto que a televisão pode ter no comportamento humano, sendo um deles o isolamento. Isso fica claro nos dois últimos versos: “vou pregar minha porta: já não preciso do mundo”.
Na última estrofe do poema, o verso: “me dás tudo, tudo” trata de uma oração de agradecimento que o poeta faz por nada lhe faltar.