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Com base no texto 1 e no trecho a seguir, dele retirado...

Texto 1

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LINGUISTAS DISCUTEM A NEUTRALIZAÇÃO DO GÊNERO GRAMATICAL

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Aldo Bizzocchi (pesquisador USP) e Cristine Gorski Severo (professora UFSC) divergem sobre a necessidade de mudanças na língua portuguesa que possibilitem a imparcialidade no falar

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Por Giuliana de Toledo

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01---1. O Colégio Franco-Brasileiro, do Rio de Janeiro, anunciou que adotaria “estratégias

02---gramaticais de neutralização de gênero”, como chamar os estudantes de “querides alunes”.

03---Logo depois, a decisão foi revogada pela escola. Em sua visão, está na hora de as

04---instituições aderirem a medidas assim?

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05---ALDO BIZZOCCHI (AB) Pelo fato de que a própria proposta da linguagem neutra tem

06---inconsistências que são insuperáveis do ponto de vista da estrutura da língua, eu acredito que não

07---é o momento, e que esse momento nunca vai chegar. Ou, se chegar, vai ocorrer espontaneamente,

08---pela própria evolução histórica da língua, não por um decreto ou por uma vontade de quem quer

09---que seja imposta de cima para baixo a todos os falantes.

10---CRISTINE GORSKI SEVERO (CGS) Não sei se tem como dizer se está na hora ou não, porque

11---cada instituição tem seu movimento, mas acho que é interessante ter uma sensibilidade para como

12---a língua tem sido usada historicamente também como expressão de uma identidade, de um modo

13---de compreender o mundo. Quando você reconhece o uso de uma linguagem inclusiva, como

14---“alunos e alunas”, ou faz uma tentativa de neutralizar o gênero, como em “querides alunes”, você

15---se aproxima dos adolescentes que têm utilizado essas marcas linguísticas.


16---2. Do ponto de vista linguístico, essa discussão faz sentido? A língua portuguesa é

17---carregada de machismo?

18---AB Existe esse mito, que circula muito na internet, de que a língua portuguesa é machista. Bom,

19---em primeiro lugar, se nós formos considerar que uma língua que tem gênero masculino e feminino

20---e faz a neutralização dos dois no masculino é machista, então todas as línguas românicas são

21---machistas. Mas isso é falso por várias razões. Essa terminação “o”, que é chamada de gênero

22---masculino, na verdade é o resultado da fusão de duas terminações latinas, a do masculino e a do

23---neutro. O latim tinha masculino, feminino e neutro, mas por um evento fortuito, que foi a evolução

24---fonética, as duas terminações, a do masculino e a do neutro, se fundiram, devido à perda da

25---consoante final. Assim, o masculino é nosso gênero neutro. Além disso, existe uma confusão entre

26---três coisas: sexo biológico, gênero biopsicossocial e gênero gramatical. Não há nenhuma relação

27---obrigatória com a realidade extralinguística, ou seja, com o mundo real.

28---CGS Desconstruir o masculino genérico é um movimento que tem acontecido não só na língua

29---portuguesa, mas em muitas outras línguas indo-europeias que têm em sua estrutura essa flexão de

30---gênero, que passou a ser entendida como machista. Essa mudança é uma resposta aos

31---movimentos sociais, culturais e identitários relacionados a gênero e sexualidade. É uma relação

32---entre língua e sociedade, entre língua e política, não entre língua e lógica. O que vemos é a língua

33---respondendo à dinâmica social, e esse é o movimento próprio da língua.

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34---3. Uma mudança na língua em favor de uma maior “neutralização” de gênero pode

35---determinar uma mudança em valores machistas de nossa sociedade?

36---AB Acredito que realmente nossa sociedade precisa amadurecer bastante no sentido de existir

37---mais justiça social, equidade, para que as minorias tenham voz e visibilidade, mas acho que não é

38---por meio de uma mudança de estrutura gramatical que isso vai acontecer. Não é a gramática que

39---está gerando a discriminação desses grupos, então a mudança na gramática, se fosse possível,

40---coisa que não é, não necessariamente seria um instrumento de maior justiça social.

41---CGS É uma pergunta muito boa: mudar a língua muda a sociedade? É o que a gente precisa

42---pensar também em relação ao politicamente correto. Deixar de usar certos termos e expressões

43---significa que o preconceito deixa de existir? Não, o preconceito acha outros modos de se

44---expressar, mas essa mudança de linguagem, em minha visão, é produto de um movimento social

45---anterior. Para mim, a linguagem está ratificando algo que já está acontecendo, e ela pode, sim,

46---projetar esse avanço, junto com outras iniciativas. Ao usar, você mostra que é simpático à

47---diversidade. Eu, sempre que posso, digo, por exemplo, “bom dia a todas, todos e todes”.

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Disponível em: https://oglobo.globo.com/epoca/sociedade/linguistas-discutem-neutralizacao-do-genero-gramatical-1-24757293. [Adaptado]. Acesso em: 24 jan. 2022.

Com base no texto 1 e no trecho a seguir, dele retirado, assinale a alternativa correta de acordo com a norma padrão escrita.

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Quando você reconhece o uso de uma linguagem inclusiva, como “alunos e alunas”, ou faz uma tentativa de neutralizar o gênero, como em “querides alunes”, você se aproxima dos adolescentes que têm utilizado essas marcas linguísticas. (linhas 13-15)


A

As duas ocorrências da palavra “você” referem-se exclusivamente ao entrevistador.


B

A expressão “de uma linguagem inclusiva” está exercendo a função de adjunto do nome “uso”.


C

As aspas estão sendo empregadas com a função de exprimir ironia.


D

A palavra “que” está introduzindo uma oração subordinada com função de sujeito.


E

A palavra “Quando” pode ser substituída por “No momento em que” sem gerar alteração no sentido.