Imagem de fundo

Depreende-se do texto que:

Arquitetura (Texto utilizado nas questões 1 e 2)


Não quero construir nada.

Talvez uma letra de música

da mais vagabunda

para tocar na estrada.


Chegar no meio da vida

sem olhar para trás.

Não quero construir nada

que não, de mim, uma versão

cada dia renovada.


Moro num bairro que não me diz nada.

Para meus vizinhos eu sou o vizinho

que ainda liga o rádio.


Flores que não plantei

enfeiam a frente da casa alugada.

Julguei fizera tudo errado.

Chuva morte erva daninha:

se refaço a matemática,

é tudo dádiva.


Uma perversão, edificar a coisa edificada.

Eu não quero construir nada.

Só transformar em ruínas, todo dia,

o que em mim se faz

parede erguida, nova morada.


(CARRIAS, Eleazar Venancio. Máquina. Urutau, 2021)

Depreende-se do texto que:


A

O eu-lírico, de tão desmotivado, prefere privar-se de construir algo novo. Tal fato é expresso pela repetição de palavras com valores negativos.


B

A poesia expressa que o eu-lírico é tão desprezível que, no máximo, o que se pode construir é uma poesia de caráter “vagabundo”.


C

Para o eu-lírico, a edificação, nada mais é, do que uma perversão que precisa ser evitada.


D

O eu-lírico pretende ressignificar, continuamente, sua vida, a fim de construir algo novo.


E

A poesia denota um pessimismo com as coisas que os outros fazem, mostrando que só as obras do eu-lírico são boas. Por isso, as flores que ele não plantou estão deixando a frente da casa feia.