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Considerando os estudos de Karnopp e Quadros (2001) sobre a aquisição das línguas de sinais, constata-se que crianças surdas com menos de 1 ano utilizam a apontação de forma frequente, mas apresentam uma descontinuidade desse uso ao entrarem no estágio de um sinal. Essa supressão temporária do ato de apontar é desencadeada pela:
Interferência do desenvolvimento motor das mãos, que leva a criança a priorizar a articulação de novas configurações convencionais em detrimento da gestualidade indicativa espontânea do estágio anterior.
Interpretação restrita desse recurso como um item lexical não dêitico, o que inviabiliza provisoriamente sua aplicação ampla para indicar múltiplos objetos e sujeitos no contexto imediato.
Transparência icônica da relação entre a forma e o significado desse gesto, que induz a criança a abandoná-lo de imediato para assimilar de maneira exclusiva a natureza puramente arbitrária das línguas naturais.
Reorganização conceitual interna vivenciada pela criança, que desloca esse mecanismo de uma dimensão pragmática pré-linguística para compreendê-lo e integrá-lo como um recurso próprio da estrutura gramatical.