Questões de Concurso sobre Temas sobre pessoas com deficiências

 
 
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Nos estudos sobre cultura surda, há distinção entre diferentes concepções de surdez. Assinale a alternativa que apresenta corretamente uma característica da visão sócio-antropológica da surdez.


A

Entende a língua de sinais como forma secundária de comunicação.


B

Define a surdez exclusivamente como deficiência clínica.


C

Considera a surdez como uma diferença linguística e cultural.


D

Defende a substituição da língua de sinais pela oralização.


E

Considera a surdez como patologia auditiva e uma limitação comunicativa.

Você presencia uma situação em que uma pessoa sofreu um acidente e apresenta sangramento intenso em um dos membros. Analise as alternativas a seguir e assinale aquela que contém conduta incorreta.


A

Realizar compressão direta sobre a ferida com pano limpo ou gaze, aplicando pressão firme para tentar interromper o sangramento.


B

Acionar o serviço de emergência, como o SAMU (192), para garantir atendimento especializado.


C

Observar se existem outros sinais de gravidade, como palidez, sudorese excessiva ou pulso acelerado.


D

Manter a vítima calma, evitando movimentações desnecessárias enquanto aguarda o atendimento especializado.


E

Remover repetidamente o curativo ou o pano colocado sobre a ferida para verificar se o sangramento continua.

Além da classificação por grau, a deficiência auditiva também pode ser classificada de acordo com a região do sistema auditivo afetada. Nesse sentido, a perda auditiva decorrente de alterações no ouvido interno ou no nervo auditivo é denominada:


A

perda auditiva mecânico-condutiva.


B

perda auditiva neurossensorial.


C

perda auditiva funcional.


D

perda auditiva transitória.


E

perda auditiva mecânica.

Ao longo dos últimos anos, o debate sobre inclusão avançou significativamente, especialmente após a ratificação, pelo Brasil, da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, em 2008, com valor de emenda constitucional. Esse marco reforçou a importância de se adotar uma terminologia que reconheça, antes de tudo, a centralidade da pessoa, evitando expressões que a reduzam à deficiência ou que produzam imprecisões conceituais. Nesse sentido, termos como “pessoa portadora de deficiência” foram considerados inadequados, pois ninguém porta uma deficiência; e expressões como “necessidades educacionais especiais” mostraram-se excessivamente amplas, podendo ocultar necessidades específicas e comprometer políticas públicas. À luz desse contexto, qual é o termo atualmente reconhecido como o mais adequado para se referir a esse público?


A

Pessoa portadora de deficiência


B

Pessoa excepcional


C

Pessoa com deficiência


D

Pessoa com necessidades especiais


E

Pessoa inválida

Considerando o estudo de Albres e Jung (2023) acerca do histórico da atuação e constituição dos tradutores e intérpretes de língua de sinais no Brasil, analise as seguintes asserções e a relação proposta entre elas:


I. Antes da consolidação institucional promovida por entidades representativas como a Feneis, a formação dos intérpretes de língua de sinais caracterizava-se pela informalidade e pelo distanciamento das reflexões científicas e acadêmicas que hoje dão base ao campo dos Estudos da Tradução.


PORQUE


II. O aprendizado e a constituição da identidade desses profissionais pioneiros ocorriam de maneira empírica, por meio de relações de alteridade estabelecidas quase exclusivamente no interior das dinâmicas familiares e dos ministérios religiosos, espaços em que a prática mediadora se fundamentava em princípios de caridade, assistencialismo e doutrinação.


A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.


A

As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.


B

As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.


C

A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.


D

A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.

Considerando a pesquisa desenvolvida por Franco et al. (2023), que analisa as evidências acadêmicas sobre o bilinguismo na educação de surdos, analise as assertivas abaixo referentes ao modo como as políticas públicas atuais afetam essa escolarização:


I. O descompasso entre a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva – PNEEPEI (2008) e o Decreto nº 5.626/2005 evidencia-se pela secundarização da Libras na primeira, o que restringe as práticas educacionais à hegemonia da língua portuguesa e inviabiliza a plena aquisição linguística pela criança surda.

II. A valorização das especificidades do bilinguismo nas políticas estaduais recentes tem garantido o rompimento das barreiras comunicacionais, visto que os dispositivos legais estabelecem diretrizes formativas rigorosas e atribuições pedagógicas claras para a atuação do professor interlocutor.

III. As atuais diretrizes de inclusão educacional orientam-se pela modificação estrutural dos contextos e das relações sociais, contrapondo-se ativamente às lógicas de governamentalidade que buscam a normalização e a adequação do surdo ao modelo escolar ouvinte.


Quais estão corretas?


A

Apenas I.


B

Apenas II.


C

Apenas I e III.


D

I, II e III.

Conforme Albres e Jung (2023), no que tange ao papel histórico da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis) e à sua relação com o campo da interpretação em língua de sinais, assinale a alternativa correta.


A

A destituição da federação antecessora ocorreu com o propósito central de regulamentar a atuação de tradutores ouvintes, desvinculando imediatamente o serviço de interpretação do paradigma assistencialista vigente nas comunidades religiosas.


B

A institucionalização de um departamento de intérpretes na estrutura da entidade derivou das normativas de inclusão debatidas na Assembleia Constituinte, que tornaram compulsória a oferta de acessibilidade comunicativa em organizações filantrópicas.


C

A assunção do protagonismo surdo na direção da instituição estabeleceu uma nova dinâmica política interna, o que catalisou as demandas por acessibilidade e resultou na formalização de um setor específico para intérpretes.


D

A associação da federação às pesquisas acadêmicas propiciou a fundação de um grupo de trabalho focado em linguística descritiva, cujo objetivo primordial era alçar a prática interpretativa ao status científico dos Estudos da Tradução.

A educação inclusiva pressupõe práticas pedagógicas que reconheçam e respeitem as especificidades linguísticas e culturais dos estudantes, garantindo igualdade de oportunidades no processo educativo.


Assinale a alternativa correta.


A

Inclusão significa tratar todos os estudantes de forma idêntica.


B

A inclusão restringe o currículo escolar.


C

A inclusão elimina a necessidade de serviços de apoio.


D

A inclusão requer reconhecimento das especificidades linguísticas da pessoa surda.

Entre os elementos simbólicos presentes na cultura surda, há práticas sociais que contribuem para a identificação e reconhecimento dos indivíduos dentro da comunidade. Uma dessas práticas consiste em:


A

atribuir nomes visuais em língua de sinais aos membros da comunidade.


B

substituir o nome civil por um código numérico comunitário.


C

registrar os nomes dos surdos exclusivamente em língua portuguesa escrita.


D

padronizar os sinais pessoais em instituições educacionais.


E

adotar nomes exclusivamente baseados na oralização.

No texto de Albres e Kelm (2020), é discutida a necessidade de atuação em equipe para preservar a saúde dos profissionais e a qualidade da tradução. Sobre o tempo ideal para a troca de turnos entre os intérpretes e as medidas preventivas indicadas no estudo, analise as assertivas abaixo:


I. O revezamento em turnos de 15 a 20 minutos é indicado para permitir uma interrupção da atividade física, minimizando o risco de lesões como a tendinite e a síndrome do túnel do carpo.

II. A alternância em intervalos curtos foca exclusivamente na saúde ocupacional do profissional, não exercendo impacto direto na clareza e na qualidade da mensagem recebida pelo estudante surdo.

III. Para sessões de interpretação superiores a 1,5 hora, o estudo recomenda utilizar mais de um intérprete e fornecer 15 minutos de descanso ou de trabalho alternativo a cada bloco de 1,5 a 2 horas.


Quais estão corretas?


A

Apenas I.


B

Apenas II.


C

Apenas I e III.


D

I, II e III.

Karnopp e Quadros (2001) discutem o processo de aquisição da linguagem por crianças surdas, detalhando as etapas de desenvolvimento linguístico nas línguas de sinais. Em relação às ideias apresentadas pelas autoras, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.


( ) Durante o período pré-linguístico, bebês surdos apresentam o balbucio manual silábico, fenômeno que apresenta combinações do sistema linguístico e sugere a existência de uma capacidade inata para a aquisição da linguagem na modalidade espaço-visual.

( ) O balbucio oral não se manifesta em bebês surdos desde o nascimento, uma vez que o input exclusivo em língua de sinais inibe precocemente qualquer tentativa de produção vocal ou sonora.

( ) No estágio das primeiras combinações, é observada a ocorrência de “erros” de reversão pronominal, caracterizados pelo momento em que as crianças utilizam a apontação direcionada ao receptor para referirem-se a si mesmas.

( ) A aquisição da concordância verbal e do sistema pronominal em referentes ausentes é facilitada pela iconicidade da modalidade espacial, sendo dominada sem erros a partir dos 3 anos de idade.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:


A

V – V – F – F.


B

F – V – F – F.


C

F – F – V – V.


D

V – F – V – F.

De acordo com Albres e Kelm (2020), no texto “Um, dois ou mais intérpretes em sala de aula? Não se trata apenas de uma questão numérica”, o trabalho em dupla pressupõe que dois profissionais atuem juntos, mas exerçam funções diferentes e complementares na construção dos sentidos. Nesse contexto, o profissional que atua assumindo a tradução do enunciado para o público e apreendendo os aspectos contextuais do discurso denomina-se intérprete ________________; aquele que pesquisa sinais, controla o tempo de revezamento e fornece soletrações não percebidas pelo colega atua como ________________; e a necessidade de alternância entre essas posições evidencia que não estar à frente da interpretação não significa ________________, visto que ambos desenvolvem tarefas simultâneas.


Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.


A

principal – mediador auxiliar – esforço cognitivo


B

de apoio – intérprete do turno – trabalho ativo


C

do turno – intérprete de apoio – descanso


D

titular – mediador interacional – isenção de responsabilidade

As limitações observadas no Oralismo, especialmente no que se refere ao acesso linguístico pleno e ao desenvolvimento escolar dos estudantes surdos, motivaram o surgimento de propostas pedagógicas alternativas ao longo do século XX. Entre essas propostas, destacou-se a Comunicação Total, que buscou ampliar as possibilidades de interação entre surdos e ouvintes no espaço escolar, ainda que sem romper completamente com concepções anteriores.


À luz desse contexto histórico-pedagógico, assinale a alternativa correta.


A

A Comunicação Total defende o uso de quaisquer recursos comunicativos disponíveis, sem centralidade linguística definida.


B

A Comunicação Total estabelece a língua de sinais como única língua de instrução.


C

A Comunicação Total elimina a oralização do processo educativo.


D

A Comunicação Total estrutura-se a partir de princípios bilíngues consolidados.

Entre os recursos utilizados no atendimento educacional de estudantes com deficiência auditiva, há materiais pedagógicos organizados em duas línguas, nos quais o conteúdo é apresentado em Libras e em Língua Portuguesa escrita.


Esse tipo de recurso é denominado:


A

Caderno linguístico direcional


B

Material visual fonológico


C

Manual pedagógico auditivo


D

Material didático bilíngue


E

Guia educacional acústico

Uma escola municipal de Vitória da Conquista está ajustando seu Projeto Político-Pedagógico para acolher estudantes surdos. A equipe pedagógica e os professores discutem como organizar o Atendimento Educacional Especializado (AEE) e as salas comuns, visando superar o modelo de integração e concretizar a inclusão. A discussão gira em torno da utilização de intérpretes em salas regulares ou da implementação de modalidades bilíngues específicas de acordo com a legislação vigente. Com base nesse caso e na legislação brasileira, qual fundamento deve orientar a organização da educação para estudantes surdos?


A

Efetuar a matrícula em turmas comuns de ensino regular desvinculada da necessidade de adaptações linguísticas ou curriculares.


B

Compreender o bilinguismo como o uso técnico de duas línguas, dissociado das dimensões culturais e identitárias do sujeito.


C

Reconhecer a educação bilíngue como modalidade própria, assegurando Libras como primeira língua e o português escrito como segunda.


D

Adotar o português como língua de instrução principal, utilizando a Libras como recurso auxiliar.


E

Organizar o AEE como atividade de reforço escolar, em detrimento da convivência com pares surdos e do ambiente linguístico.

Considerando a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva e a função dessa modalidade dentro do sistema de ensino, assinale a alternativa correta.


A

A Educação Especial deve ser compreendida como uma abordagem médico-pedagógica, caracterizada pela preocupação higienizadora.


B

A Educação Especial deve focar a concepção de que o estudante não é produtivo e estaria bem cuidado se mantido no ambiente segregado.


C

No Brasil, desde o início, a Educação Especial sempre foi assistencialista, o que balizou a atenção à pessoa deficiente.


D

A Educação Especial, nos dias de hoje, é um complemento da formação, perdendo sua condição de substituir o ensino comum.


E

Predomina na Educação Especial o caráter de integração, pois acredita-se que o estudante é quem deve se adaptar à escola.

Considerando a discussão apresentada pelas autoras Souza e Gediel (2017) sobre os critérios adotados pelos líderes surdos na elaboração de “sinais próprios”, é correto inferir que a seleção dos parâmetros fonológicos (como a configuração de mão, o movimento e a locação):


A

Transcende a mera descrição física ou comportamental do indivíduo, operando também como um instrumento de demarcação ideológica que afirma a autonomia da língua de sinais em face das línguas orais.


B

Reflete uma tendência de padronização baseada em critérios icônicos universais, os quais asseguram que as distinções de gênero e os traços físicos sejam codificados de maneira invariável no grupo.


C

Fundamenta-se no emprego prioritário de empréstimos do alfabeto datilológico, uma vez que essa estratégia pedagógica atua como o principal catalisador para a fluência de novos integrantes da comunidade.


D

Desconsidera a possibilidade de arbitrariedade na formação dos nomes, estabelecendo que a legitimidade do ritual de batismo depende de uma correspondência mimética estrita com o referente humano.

Considerando a análise de Souza e Gediel (2017) sobre o léxico das línguas espaciais-visuais, os classificadores desempenham um papel singular na motivação de determinados sinais próprios. À luz da articulação teórica proposta no texto e ilustrada pelo processo de criação do “sinal 2”, a relação entre o uso de classificadores e a constituição fonológica do sinal de batismo revela que:


A

A incorporação sistêmica de classificadores aos verbos de movimento garante que o sinal próprio resultante seja universalmente compreendido, suprimindo a necessidade de convivência prévia para a sua formulação.


B

A intensidade comunicativa mediada por classificadores condiciona o líder surdo a empregar a datilologia, evidenciando uma correspondência obrigatória entre a fluência sinalizada e a apropriação de empréstimos do português.


C

A expressividade corporal inerente aos classificadores, ainda que dotada de iconicidade variável culturalmente, atua como traço identitário capaz de motivar um sinal estruturado de modo fonologicamente arbitrário.


D

A mobilização espacial e visual dos referentes consolida uma padronização normativa na comunidade, determinando que todo sinal originado do uso de classificadores descreva a aparência anatômica do sujeito.

Com base no estudo desenvolvido por Vasconcelos et al. (2016) sobre a formação de lideranças surdas e considerando a articulação das esferas religiosa e escolar no percurso formativo de líderes surdos, é correto afirmar que:


A

As escolas regulares, ao adotarem currículos homogeneizadores com foco nos alunos ouvintes, consolidaram-se como os espaços de resistência que desencadearam a formação crítica e política das lideranças investigadas.


B

A ação agregadora das instituições religiosas superou a do núcleo familiar no estímulo ao engajamento social, ao passo que o impacto do ambiente escolar esteve condicionado à adoção de abordagens voltadas às particularidades da comunidade surda.


C

A inserção nos movimentos de evangelização compensou a ausência de referenciais nas escolas bilíngues, as quais se mostraram inicialmente ineficazes na transmissão da cultura surda e na viabilização da língua de sinais.


D

A totalidade dos sujeitos investigados desenvolveu habilidades de gestão a partir da articulação direta entre a atuação inclusiva das igrejas e as metodologias de letramento empregadas com êxito pelas instituições de ensino tradicionais.

Existem atualmente mais de 300 línguas de sinais distintas no mundo, tais como a Libras (Língua Brasileira de Sinais) no Brasil, a ASL (American Sign Language) nos Estados Unidos, a LGP (Língua Gestual Portuguesa) em Portugal e a LSF (Langue des Signes Française) na França, dentre outras. A respeito dessas línguas, é incorreto afirmar:


A

Cada comunidade surda desenvolve sua língua de sinais de forma autônoma, com gramática e vocabulário próprios.


B

Existe uma forma de comunicação chamada International Sign (IS), utilizada em congressos e eventos internacionais, mas que não constitui uma língua completa nem oficial.


C

Todas as línguas de sinais derivam diretamente da ASL (American Sign Language), sendo apenas variações regionais de uma mesma língua.


D

As línguas de sinais não são universais, mas sistemas independentes, criados e desenvolvidos por diferentes comunidades surdas ao redor do mundo.


E

Assim como as línguas faladas, as línguas de sinais refletem a cultura e a identidade de suas respectivas comunidades surdas.

 
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