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Uma paciente de 28 anos, previamente hígida, procura atendimento médico com histórico de infecções respiratórias recorrentes (principalmente sinusites e bronquites) e diarreia crônica intermitente, desde o final da adolescência. Ela relata que já foi tratada com múltiplos ciclos de antibióticos para essas condições. Recentemente, foi diagnosticada com doença celíaca, confirmada por biópsia intestinal compatível com enteropatia e a presença de anticorpos anti-transglutaminase tecidual (anti-tTG) da classe IgG positivos, uma vez que a pesquisa de anti-tTG IgA e anti-endomísio IgA foi negativa. A paciente nega histórico de infecções oportunistas graves, hospitalizações frequentes por pneumonia, ou doenças autoimunes sistêmicas além da doença celíaca. A investigação laboratorial inicial revelou os seguintes resultados:
• IgA sérico: <7 mg/dL (valor de referência: 70-400 mg/dL).
• IgG sérico: 950 mg/dL (valor de referência: 700-1600 mg/dL).
• IgM sérico: 110 mg/dL (valor de referência: 40-230 mg/dL).
• Subpopulações de linfócitos: linfócitos T e B em contagens normais.
• Sorologia para HIV: negativa.
Com base nesse quadro clínico-laboratorial, qual é a conduta mais apropriada para o manejo a longo prazo dessa paciente?
Iniciar terapia de reposição de imunoglobulina (IVIg ou SCIg) para prevenir as infecções recorrentes e monitorar de perto um possível desenvolvimento de outras doenças autoimunes.
Recomendar que a paciente evite contato com alérgenos inalantes e alimentares e iniciar corticosteroides inalatórios e anti-histamínicos de forma contínua, pois a deficiência de IgA predispõe a doenças alérgicas severas.
Prescrever antibióticos profiláticos contínuos para as infecções respiratórias, devido ao risco aumentado de bronquiectasias, e considerar imunossupressores para a doença celíaca, visto que a deficiência de IgA pode impactar a resposta à dieta.
Realizar testes de resposta vacinal a antígenos proteicos e polissacarídeos e, se houver falha na produção de anticorpos, considerar o diagnóstico de Imunodeficiência Comum Variável (ICV) e encaminhar para avaliação de transplante de medula óssea.
Gerenciar as infecções pontualmente com antibioticoterapia direcionada, manter a dieta rigorosa sem glúten para a doença celíaca, e orientar a paciente sobre a importância de notificar sua condição de deficiência de IgA antes de receber transfusões sanguíneas ou hemoderivados.