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Uma criança de 5 anos de idade, previamente saudável, apresenta cefaleia progressiva há um mês, com piora há 3 horas, associado a vômitos em jato e alteração do nível de consciência. Ao exame, paciente obnubilado com bradicardia e respiração irregular. A TC evidenciou volumosa lesão de fossa posterior com hidrocefalia obstrutiva.
Tendo como referência o caso precedente, assinale a opção correta em relação às síndromes de herniação na infância.
As alterações cardiorrespiratórias do paciente devem-se somente ao quadro pré-comatoso, pois a grande complacência craniana infantil até os 7 anos de idade impede o desenvolvimento de síndromes de herniação clinicamente relevantes e graves nessa faixa etária.
A clínica é sugestiva de herniação uncal quando o uncus faz protrusão através da incisura do tentório, comprimindo diretamente o bulbo e o nervo vago; essa compressão pode desencadear o quadro típico de síndrome vasovagal, manifestado na criança.
Provável caso de herniação transtentorial ascendente, mais comum em crianças, em que as estruturas da fossa posterior ascendem através do tentório, com comprometimento cortical e compressão do III par; mas, em crianças, a anisocoria é tardia e, por não comprimir o tronco encefálico, o quadro costuma evoluir de forma benigna.
O caso apresentado é de herniação subfalcina por desvio do giro do cíngulo sob a foice cerebral e compressão das veias cerebelares, sendo a herniação mais frequente na infância e que cursa mais comumente com a tríade de Cushing (bradicardia, hipertensão arterial e bradipneia); portanto, há risco elevado de morte súbita imediata da criança.
O quadro é característico de herniação tonsilar, por deslocamento de tonsilas cerebelares pelo forame magno, sendo a herniação mais comum em crianças e típica em tumores de fossa posterior; nesse caso, há risco iminente de apneia e morte súbita.