Imagem de fundo

Um homem de 23 anos, previamente hígido, longilíneo...

Um homem de 23 anos, previamente hígido, longilíneo, tabagista de 8 maços-ano, procura o serviço de emergência com dor torácica súbita à direita e dispneia iniciadas há 12 horas, enquanto estava em repouso. Nega trauma, febre ou tosse produtiva. Refere episódio semelhante há cerca de 8 meses, tratado com drenagem pleural em outro hospital.

Ao exame físico, apresenta-se ansioso, porém consciente e orientado. Frequência respiratória de 26 irpm, frequência cardíaca de 108 bpm, pressão arterial de 118/72 mmHg, saturação periférica de oxigênio de 93% em ar ambiente. O hemitórax direito apresenta redução da expansibilidade, hipertimpanismo à percussão e murmúrio vesicular abolido no ápice e terço médio. Não há desvio traqueal nem sinais de choque.

A radiografia de tórax mostra pneumotórax espontâneo primário à direita de grande volume. Foi realizada drenagem pleural em selo d’água, com melhora parcial da dispneia, porém após 6 dias o paciente mantém fuga aérea persistente e o controle radiográfico demonstra expansão pulmonar incompleta.

A tomografia computadorizada evidencia blebs apicais subpleurais à direita, sem doença pulmonar difusa associada.

O tratamento mais adequado para esse caso será


A

manter apenas drenagem torácica por tempo indeterminado, pois a maioria das fugas aéreas persistentes resolve-se espontaneamente e a cirurgia deve ser evitada no primeiro episódio tratado em hospital.


B

retirar o dreno, manter analgesia e observação ambulatorial, pois a estabilidade hemodinâmica e a ausência de desvio mediastinal excluem a necessidade de intervenção adicional.


C

indicar tratamento cirúrgico por videotoracoscopia (VATS), com ressecção de blebs/bullectomia apical associada a procedimento de pleurodese/pleuroabrasão, por se tratar de recidiva ipsilateral associada a fuga aérea persistente e falha de re-expansão pulmonar.


D

realizar toracotomia de urgência com lobectomia superior direita, pois a presença de blebs apicais em tomografia contraindica tratamento conservador e torna a ressecção anatômica obrigatória.


E

indicar punção aspirativa com agulha como tratamento definitivo, seguida de alta hospitalar, pois o pneumotórax espontâneo primário em pacientes jovens quase nunca necessita prevenção de recorrência