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Mulher de 61 anos, menopausada há 8 anos, com antecedente de câncer de mama hormônio-dependente (com receptores de estrogênio e progesterona positivos), tratada há 4 anos com mastectomia, quimioterapia adjuvante e radioterapia, encontra-se em uso de inibidor de aromatase (letrozol) há 3 anos, com previsão de manutenção por mais 2 anos. Evolui com síndrome urogenital da menopausa grave, caracterizada por dispareunia incapacitante, fissuras vaginais recorrentes, ardor intenso e sintomas urinários irritativos, refratários a lubrificantes e hidratantes vaginais não hormonais utilizados de forma adequada.
À luz das evidências atuais e das recomendações para mulheres com história de câncer de mama em uso de inibidor de aromatase, é correto afirmar que
o uso de estrogênio vaginal em qualquer dose é absolutamente contraindicado em mulheres em uso de inibidor de aromatase, independentemente da gravidade dos sintomas.
o uso de estrogênio vaginal em dose ultrabaixa pode ser considerado em situações excepcionais, desde que haja falha terapêutica das opções não hormonais, discussão formal dos riscos e benefícios e decisão compartilhada com a paciente e o oncologista.
só está liberado para essa paciente o uso de lubrificantes e hidratantes vaginais não hormonais.
a terapia vaginal com laser é considerada alternativa preferencial ao estrogênio vaginal, por apresentar eficácia superior e segurança comprovada em mulheres em uso de inibidores de aromatase.
a interrupção temporária do inibidor de aromatase durante o uso de estrogênio vaginal elimina o risco de elevação estrogênica sistêmica e é recomendada nos casos refratários de síndrome urogenital da menopausa.