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Homem de 72 anos, com diabetes Mellitus tipo 2 e doença...

Homem de 72 anos, com diabetes Mellitus tipo 2 e doença renal crônica estágio G3a, encontra-se internado há 12 dias para tratamento de pneumonia hospitalar. Recebeu inicialmente ceftriaxona e azitromicina e, após piora respiratória, o esquema foi substituído por piperacilina/tazobactam.

No décimo dia de internação, iniciou diarreia aquosa, inicialmente com oito evacuações em 24 horas, associada a dor abdominal difusa. Nas 48 horas seguintes, evoluiu com distensão abdominal progressiva, redução importante das evacuações, oligúria e hipotensão.

Ao exame: temperatura 38,1 °C, frequência cardíaca 118 bpm, pressão arterial 82 × 48 mmHg, mucosas secas e abdome distendido, difusamente doloroso, sem sinais de irritação peritoneal e com ruídos hidroaéreos muito diminuídos.

Exames laboratoriais mostram: leucócitos: 32.800/mm3, com 89% de neutrófilos; hemoglobina: 11,4 g/dL; creatinina: 2,4 mg/dL, sendo basal 1,2 mg/dL; albumina: 2,2 g/dL; lactato: 4,1 mmol/L; potássio: 3,1 mEq/L.

Pesquisa molecular nas fezes detecta gene toxigênico de Clostridioides difficile, com imunoensaio para toxinas A/B positivo. A tomografia computadorizada do abdome evidencia espessamento difuso da parede colônica e dilatação do cólon transverso de 6,5 cm, sem pneumoperitônio.

Após reposição volêmica inicial, considerando o diagnóstico, a gravidade da apresentação e os mecanismos farmacológicos envolvidos, a conduta antimicrobiana mais adequada neste momento é


A

fidaxomicina 200 mg por via oral a cada 12 horas, pois sua ligação à subunidade β da RNA-polimerase bacteriana inibe a transcrição e apresenta menor impacto sobre a microbiota intestinal, sendo preferível à vancomicina também nas formas fulminantes.


B

vancomicina 500 mg por via oral ou por sonda a cada 6 horas associada a metronidazol 500 mg intravenoso a cada 8 horas, considerando vancomicina por via retal se o íleo impedir adequada distribuição; a vancomicina liga-se aos terminais D-Ala-D-Ala dos precursores do peptidoglicano.


C

vancomicina 125 mg por via oral a cada 6 horas em monoterapia, pois sua ligação aos precursores do peptidoglicano determina elevada concentração intraluminal e torna desnecessária terapia sistêmica mesmo na presença de choque e íleo paralítico.


D

metronidazol 500 mg intravenoso a cada 8 horas em monoterapia, pois seus metabólitos reduzidos produzem espécies reativas que lesionam o DNA bacteriano e a administração parenteral assegura concentrações colônicas suficientes mesmo na doença fulminante com íleo.


E

vancomicina 500 mg intravenosa a cada 6 horas associada a metronidazol 500 mg intravenoso a cada 8 horas, pois a distribuição sistêmica da vancomicina permite concentrações adequadas no lúmen colônico e bloqueia a síntese da parede bacteriana durante o íleo.