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Mulher de 38 anos, sem diagnóstico prévio de doença autoimune, procura atendimento por dor e edema progressivos no membro inferior esquerdo há 3 dias. Há quatro anos, apresentou trombose venosa profunda (TVP) proximal não provocada, tratada com anticoagulação durante seis meses. Dois anos depois, sofreu acidente vascular cerebral isquêmico, também sem fator desencadeante identificado. Nega uso de anticoncepcionais, tabagismo ou história familiar de trombofilia.
Ao exame, encontra-se hemodinamicamente estável, com edema assimétrico e dor à palpação da panturrilha esquerda. A ultrassonografia com Doppler demonstra nova TVP envolvendo as veias femoral e poplítea.
Os exames laboratoriais mostram: hemoglobina: 12,6 g/dL; leucócitos: 7.800/mm³; plaquetas: 108.000/mm³; creatinina: 0,8 mg/dL; TP/INR: 1,0; TTPa: 58 segundos (controle: 30 segundos); anticoagulante lúpico: positivo; anticardiolipina IgG: 92 GPL; anti-β2-glicoproteína I IgG: fortemente positivo; FAN: negativo; anti-DNA de dupla hélice: negativo.
Os anticorpos antifosfolípides permanecem positivos em nova determinação realizada 12 semanas depois.
Após o tratamento da fase aguda do evento trombótico com anticoagulação parenteral, deve-se definir a estratégia de prevenção secundária em longo prazo.
Considerando o diagnóstico mais provável, o significado dos achados laboratoriais e o mecanismo farmacológico do tratamento, assinale a afirmativa correta.
A paciente apresenta síndrome antifosfolípide trombótica, mas o TTPa prolongado indica efeito anticoagulante sistêmico do anticorpo in vivo; por isso, após a fase aguda, deve-se priorizar ácido acetilsalicílico isoladamente para reduzir o risco hemorrágico associado à anticoagulação.
A paciente apresenta síndrome antifosfolípide trombótica e deve receber apixabana em longo prazo, pois a inibição direta e reversível do fator Xa oferece proteção equivalente à varfarina em pacientes com tripla positividade, independentemente de eventos arteriais prévios.
A paciente apresenta síndrome antifosfolípide associada à trombocitopenia imune, devendo-se priorizar corticosteroide sistêmico até normalização da contagem plaquetária e iniciar anticoagulação apenas após atingir valores superiores a 150.000/mm³.
A paciente apresenta síndrome antifosfolípide provável, porém a persistência dos anticorpos por 12 semanas, na ausência de lúpus eritematoso sistêmico, não estabelece relevância clínica suficiente para anticoagulação prolongada; recomenda-se tratamento da TVP atual pelo período convencional de três a seis meses.
A paciente apresenta síndrome antifosfolípide trombótica de alto risco; deve receber anticoagulação prolongada com varfarina, que reduz a síntese hepática funcional dos fatores II, VII, IX e X dependentes de vitamina K, sendo inadequada a substituição rotineira por anticoagulante oral direto nesse perfil.