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Segundo o livro Pronto Socorro do ICr- HCFMUSP – 4ed., em relação à síndrome nefrítica, marque a alternativa CORRETA.
A glomerulonefrite pós estreptocócica é uma das causas mais comuns e predomina em crianças de 2 a 6 anos de idade.
A glomerulonefrite pós estreptocócica é uma das causas mais comuns na infância e a diminuição das concentrações séricas de CH50 e C3 ocorre na maioria dos casos, normalizando em 6 a 8 semanas em grande parte dos pacientes.
Caracteriza-se pelo aparecimento súbito da tríade: edema, hematúria e albumina abaixo de 2,5g/dl.
A confirmação da infecção estreptocócica por cultura de orofaringe ou pele apresenta alta sensibilidade.
Homem, 45 anos, DRC por HAS e DM2, e adimitido em hospital com quadro de desorientação, náuseas, vômitos e anasarca. Os exames laboratoriais mostram ureia 351 mg/ dL; Cr 10,4 mg/dL, Na 130 mEq/L K 6,1 mEq/L Bic 12. Indica terapia dialítica via acesso de curta permanência com a seguinte prescrição: tempo 4h; UF 2,0 L; fluxo sanguíneo 300 ml/min fluxo dialisato 500 m/min/ Na dialisato 144. Após 2h de sessão, o paciente apresenta náuseas, vomitos, confusão mental e episódio convulsivo. A complicação apresentada e a principal medida de prevenção são respectivamente:
embolia gasosa – avaliação prévia de acesso, de linha arterial, atenção na retirada de cateter (especialmente acesso jugular)
reação ao dialisar tipo A – trocar de dialisador por material menos alérgeno
síndrome do desequilíbrio osmótico – prescrever 1ª sessão com no máximo 2 horas, uso de manitol associado, fluxos de sangue e dialisato mais baixos
hemólise – avaliação horária de sangue em circuito de diálise, interrompendo a mesma caso presença de sangue escuro e fibrina no filtro
Paciente de 26 anos dá entrada em pronto socorro com quadro de colúria, edema de membros inferiores e crise hipertensiva. Nega febre previamente sem comorbidades, relata viagem recente à Bahia, relata ter feito trilhas longas e se alimentado de peixes e crustáceos locais, evoluindo com quadro uma semana depois.
Exames laboratorial: Hb 9,5 g/dL; leucometria 10.000; PCr 1,7 U 256 mg/dL Cr 5. 7mg/dL K 6,8 mEq/L Na 145 mEq/L Bic 14 meQ/L CPK 2.000.
EAS: hb 3+; ptn 2+; ´ph 2
Qual provável diagnóstico e conduta do caso?
Síndrome de Haff – avaliar hemodiálise de urgência
Leptospirose – início de antibioticoterapia e hidratação venosa
Dengue hemorrágica – hidratação venosa e nova avaliação laboratorial em 3h – avaliar hemodiálise
IRA associada a desidratação – hidratação venosa
Paciente masculino, 52 anos de idade, portador de HAS + DM2, em uso atual de losartana 50 mg 12/12h; dapagliflozina 10 mg 1x ao dia; anlodipina 5 mg 12/12h; metformina 500 mg 12/12h, com último exame laboratorial mostrando os seguintes valores: Hb 12,5 g/dL; Leuco 9000; U 14 mg/dL; Cr 1,1 mg/dL; Na 142 mEq/L; K 5,0 mEq/L; HbA1c 6,8% relação albumina/creatinina: 298 mg/g em spot urinário. Paciente clinicamente estável, PA 145 x 90 mmHg, repetida e confirmada em duas consultas. Para melhor controle de progressão de Doença Renal Crônica, está indicado:
início de finerenona, 10 mg dia, visto K < 5,5. Reavaliar potassemia em 15 dias; associar clortalidona 25 mg 1x dia para controle de PA objetivando PA sistólica < 140 mmHg
início de finerenone, 10 mg dia, visto K < 5,5. Reavaliar potassemia em 15 dias; associar clortalidona 25 mg 1x dia para controle de PA objetivando PA sistólica < 120 mmHg
não iniciar finerenone, visto K > 4,8 mEq/L; iniciar clortalidona 25 mg 1x ao dia, objetivando PA sistólica < 120 mmHg; avaliar dieta hipoproteica para controle de proteinúria
não iniciar finerenone, visto K > 4,8 mEq/L; iniciar clortalidona 25 mg 1x ao dia, objetivando PA sistólica < 140 mmHg; avaliar dieta hipoproteica para controle de proteinúria
Mulher, 26 anos de idade, apresentando quadro de hematúria dismórfica associada a proteinúria de 1800 mg/24 e piora de função renal no último ano (Cr 1.8 mg/dL).
Sorologias virais negativas. FAN não reagente. Anti-DNA não reagente. C3 75 mg/dL; C4 20 mg/dL
Foi realizada biópsia renal, com detecção de expansão e hipercelularidade mesangial, proliferação endocapilar, reação de membrana basal glomerular com formação de dupla membrana; A Imunofluorescência com resultado parcial indicando depósitos localizados em mesângio, subepitélio e intramembrana. Há presença de crescentes.
Dentre as alternativas abaixo, qual provável diagnóstico da paciente:
glomerulopatia membranoproliferativa – Lúpus eritematoso sistêmico
glomerulopatia membranosa – hepatite C
glomerulopatia membranoproliferativa – glomerulopatia por C3
glomerulopatia membranoproliferativa associada à microangiopatia trombótica
Homem, 42 anos, portador de Diabetes Mellitus Tipo 2 e hipertensão. Em exame de rotina, foi detectado creatinina sérica de 2,0 mg/dL, (CKD EPI 2021 – TFG 40 ml/min/1,73 m²) associada à albuminúria de 194 mg/g de creatinina, repetida e confirmada após três meses. Qual é ocorreto estadiamento da Doença Renal Crônica (DRC) deste paciente:
G3b-A2
G3a-A2
G3a-A3
G4 – A3
Um adolescente de 13 anos com Doença Renal Crônica (DRC) estágio 4 é avaliado para distúrbio mineral e ósseo associado à DRC (DMO-DRC). Seus exames mostram níveis elevados de fósforo sérico e PTH. Qual é a primeira medida terapêutica para o manejo da hiperfosfatemia nesse paciente?
Iniciar calcitriol para suprimir o PTH.
Prescrever cinacalcete para reduzir o PTH.
Restrição dietética de fósforo e uso de quelantes de fósforo.
Indicar paratireoidectomia para tratar o hiperparatireoidismo secundário.
Aumentar a dose de cálcio suplementar.
Um menino de 6 anos com Síndrome Nefrótica Idiopática em atividade é admitido com edema severo, proteinúria maciça e hipoalbuminemia. Ele subitamente desenvolve dor intensa no flanco direito, hematúria e piora aguda da função renal.
Qual é a complicação mais provável que esse paciente está apresentando?
Peritonite bacteriana espontânea.
Insuficiência renal aguda por necrose tubular aguda.
Trombose de veia renal.
Ruptura de cisto renal.
Cistite hemorrágica.
As artérias que irrigam as suprarrenais originam-se mais comumente da(s):
Artérias renais, aorta e esplênica.
Artérias renais, aorta e frênicas inferiores.
Artérias frênicas inferiores.
Aorta.
Artérias renais, aorta e lombares superiores.
Sobre o cisto renal classificado pela tomografia computadorizada como Bosniak 2F, assinale a alternativa correta.
Não há chance de ser um tumor renal cístico.
Requer seguimento com tomografias seriadas.
É um cisto de paredes finas, sem calcificação e sem septos, com conteúdo líquido.
É um cisto de paredes espessadas, que captam contraste, com conteúdo denso e múltiplos septos.
É um cisto com calcificações grosseiras e nódulos que captam contraste, necessitando seguimento.
Na coordenação de rede hospitalar, o médico Nefrologista deve equilibrar gestão clínica e administrativa. Com base no enunciado, a ação que reflete esse papel é:
Delegar integralmente decisões clínicas à equipe de enfermagem.
Priorizar metas financeiras em detrimento da segurança do paciente.
Excluir participação multiprofissional nas decisões clínicas.
Garantir protocolos assistenciais padronizados e monitoramento de indicadores de qualidade.
Centralizar todas as decisões em um único gestor médico.
Um paciente de 35 anos, submetido a transplante renal há 3 meses, apresenta aumento súbito da creatinina sérica, febre baixa e dor no enxerto. A biópsia revela infiltrado linfocitário intersticial e agressão tubular. Considerando os mecanismos imunológicos envolvidos, assinale a explicação CORRETA para o quadro.
Ativação de linfócitos T CD8+ contra antígenos HLA do enxerto, caracterizando rejeição aguda celular.
Produção de anticorpos anti-HLA classe II, caracterizando rejeição crônica.
Ativação inespecífica de células NK sem reconhecimento antigênico.
Supressão da resposta imune por células T regulatórias.
Ativação de complemento independente de anticorpos.
Um paciente com insuficiência renal crônica avançada apresenta prurido intenso, fraqueza muscular e deformidades ósseas. O exame físico revela palidez cutânea e sinais de osteodistrofia. Com base no caso, assinale CORRETAMENTE a interpretação clínica que melhor integra os achados.
Complicações endócrinas secundárias à insuficiência adrenal.
Alterações metabólicas relacionadas à hipoglicemia persistente.
Efeitos adversos da imunossupressão pós-transplante.
Manifestações sistêmicas da uremia, incluindo anemia e osteodistrofia renal.
Consequências da hipertensão arterial mal controlada.
Um paciente de 40 anos, portador de HIV controlado com terapia antirretroviral, apresenta insuficiência renal terminal. Segundo os protocolos atuais de transplante renal, assinale a conduta CORRETA.
Contraindicação absoluta ao transplante, independentemente do controle clínico.
Transplante permitido apenas em casos de falência hepática concomitante.
Transplante indicado sem restrições, pois o HIV não interfere na imunossupressão.
Transplante permitido apenas mediante autorização judicial específica.
Contraindicação relativa, sendo possível transplante se houver carga viral indetectável e CD4 adequado.
Pedro, 7 anos, é portador de DRC estágio 3 secundária a refluxo vesicoureteral. Ele se encontra estável, assintomático, com função renal monitorada regularmente. Ao revisar seu histórico vacinal, a equipe observa que ele não recebeu a vacinação contra influenza e pneumocócica conjugada nos últimos 12 meses. Com base no caso clínico e considerando a imunização da criança com DRC, é CORRETO afirmar que:
Crianças com DRC em uso de imunossupressores podem receber vacinas com vírus vivos, desde que estejam em estágios iniciais da doença.
A vacinação contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR), febre amarela e varicela deve ser realizada até no máximo seis semanas antes do transplante.
A vacinação contra hepatite B pode ser postergada para estágios avançados da DRC, devido à maior taxa de soroconversão nesse período
A vacina contra influenza deve ser administrada apenas antes do transplante, sendo contraindicada após o procedimento.
A imunização contra pneumococo está indicada apenas após o transplante renal.
Fazem parte dos critérios de Injúria Renal Aguda (IRA):
Aumento da creatinina urinária em ≥ 1,5 vezes o basal em até 7 dias.
Queda da TFG abaixo de 60 mL/min/1,73 m² por mais de 3 meses.
Aumento da creatinina sérica em 0,3 mg/dL em até 48 horas.
Redução da cistatina C sérica.
Em relação à DRC e à exposição a agentes nefrotóxicos, assinale a alternativa CORRETA:
A presença de DRC não interfere no risco de declínio agudo da função renal após exposição a contrastes radiológicos.
Os Anti-Inflamatórios Não Esteroides (AINEs) podem reduzir a TFG por inibição de prostaglandinas e vasoconstrição renal.
A diretriz KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes) recomenda a manutenção de medicamentos potencialmente nefrotóxicos até que a TFG seja inferior a 30 ml/min/1,73m².
A prescrição de AINEs é incomum após o diagnóstico estabelecido de DRC.
Medicamentos nefrotóxicos não influenciam a evolução da DRC quando utilizados em doses habituais.
A UTI do hospital estadual aciona o nefrologista para avaliar um paciente de 60 anos, 80 kg, sem comorbidades, que foi picado por uma cobra e encontra-se euvolêmico, KDIGO 2. Na prescrição, consta que o paciente vinha em uso de furosemida em baixas doses. O nefrologista decide, então, fazer o teste de estresse da furosemida (FST) para avaliar o risco de progressão da Insuficiência Renal Aguda.
Assinale a alternativa que apresenta o teste (FST) com a dose máxima adequada e a capacidade de resposta esperada.
80 mg, diurese > 200 ml após 2h da administração da furosemida.
80 mg, diurese > 100 ml após 2h da administração da furosemida.
80 mg, diurese > 200 ml após 1h da administração da furosemida.
120 mg, diurese > 200 ml após 2h da administração da furosemida.
120 mg, diurese > 200 ml após 1h da administração da furosemida.
De acordo com as diretrizes KDIGO 2021 para glomerulonefrites (atualizadas em consensos de 2024) e evidências de ensaios clínicos fase III recentes para nefropatia por IgA (IgAN) em adultos com proteinúria >0,5 g/dia apesar de otimização de inibidores do SRAA e eGFR 25-90 mL/min/1,73 m², sobre opções terapêuticas, assinale a alternativa incorreta.
Os inibidores de SGLT2, como a dapagliflozina, são recomendados (nível 1B) como terapia adicional após otimização com inibidores do SRAA para reduzir o declínio de eGFR em pacientes com risco de progressão.
A budesonida de liberação ileal direcionada (Nefecon) é sugerida (nível 2B) por 9 meses em pacientes com risco de progressão, com evidência de redução de proteinúria em aproximadamente 30% no ensaio NefIgArd.
O rituximabe (anti-CD20) demonstrou eficácia em reduzir Gd-IgA1 circulante e proteinúria em ensaios clínicos randomizados fase III para IgAN primária.
O iptacopan, inibidor do fator B do complemento, recebeu aprovação prioritária pela FDA em 2024 para adultos com IgAN em risco de progressão rápida, baseado nos resultados do ensaio APOLLO fase III.
Acerca do Lúpus Eritematoso Sistêmicos (LES) e da Nefrite Lúpica (NL), é correto afirmar que
ao alcançar a remissão, o benefício maior é a rara ocorrência de recidivas.
o principal objetivo do tratamento da NL é alcançar a remissão completa, que está associada a bom prognóstico renal em longo prazo.
a biópsia renal, quando disponível, permanece como padrão-ouro para a definição da classe da NL e para o diagnóstico diferencial, porém peca em graduar atividade e cronicidade.
diante da suspeita de abertura de um quadro de atividade renal, a biópsia é opcional, uma vez que a determinação da classificação da NL com base em parâmetros clínicos e laboratoriais está ampla e específica, segundo a nova diretriz.
as infecções são atualmente uma das principais causas de óbito no paciente com LES e, por isso, a profilaxia atualmente com sulfametoxazol/trimetoprim no período inicial do tratamento, quando a imunossupressão é mais intensa, é fortemente recomendada para qualquer classe de NL.