Um paciente do sexo masculino, de 42 anos, procura atendimento nutricional relatando quadro de constipação crônica, aumento de irritabilidade, dificuldade de concentração, sono fragmentado e sensação de “cansaço mental”. Está em acompanhamento com médico clínico, que afastou causas orgânicas graves e levantou hipótese de participação de fatores relacionados ao estilo de vida. O paciente refere rotina estressante, sono irregular, baixo nível de atividade física e padrão alimentar ocidentalizado, com alto consumo de ultraprocessados, açúcares simples e gorduras saturadas, além de baixa ingestão de fibras, frutas, hortaliças e alimentos fermentados. Traz à consulta um artigo de divulgação científica sobre o eixo intestino-cérebro, afirmando ter lido que “tratar o intestino ajuda a tratar o cérebro” e perguntando se ajustes alimentares e uso de probióticos e prebióticos poderiam auxiliar tanto na constipação quanto nos sintomas cognitivos e de humor. Considerando os mecanismos descritos para o eixo intestino-cérebro-microbiota e o papel da alimentação na modulação da microbiota intestinal, a abordagem nutricional que apresenta a justificativa MAIS ADEQUADA é:
Focar apenas em altas doses de probióticos, sem mudar a dieta, para melhorar os sintomas cognitivos e emocionais.
Recomendar dieta hiperproteica com restrição de carboidratos e fibras para reduzir a fermentação e a produção de metabólitos bacterianos.
Indicar apenas água e laxativos, pois a relação intestino-cérebro é especulativa e não justifica intervenções nutricionais.
Ajustar o padrão alimentar, com aumento de alimentos prebióticos, fibras e fermentados e redução de ultraprocessados e gorduras saturadas, explicando que a dieta influencia a composição da microbiota e pode, indiretamente, modular produção de neurometabólitos, com potencial efeito adjuvante sobre humor e cognição.
Manter a dieta atual e suplementar complexo B e ômega-3, pois o impacto da microbiota na saúde mental é mínimo comparado aos micronutrientes.