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O trauma de face não escolhe a pessoa, simplesmente ocorre, podendo estar atrelado a inúmeras etiologias. E, a depender da topografia do dano, pode comprometer tecido mole, duro ou ambos, influenciando no prognóstico terapêutico, principalmente se somado a particularidades do paciente. Assim, pacientes com história de terem sido submetidos à radioterapia, quimioterapia ou medicamentos que alterem a remodelação óssea podem apresentar um sequenciamento pós-cirúrgico delicado.
Dentro desse escopo, assinale a alternativa INCORRETA.
A radioterapia pode causar, a longo prazo, uma predisposição ao rompimento e retardo na cicatrização do tecido mole, mesmo após pequeno traumatismo, devido à indução de uma fibrose na submucosa que torna o revestimento da mucosa menos flexível e menos resiliente.
Na assistência emergencial do paciente com trauma de face, nem sempre é possível ter conhecimento das morbidades ou tratamentos prévios que possam influenciar no planejamento ou prognóstico terapêutico. Contudo é sabido que a radioterapia interfere no ritmo de regeneração de qualquer osso viável remanescente, aumentando-o a ponto de se tornar ineficaz no seu autorreparo.
A espoliação que o trauma pode trazer aos tecidos do viscerocrânio pode indicar a necessidade de um suporte medicamentoso com analgésicos, anti-inflamatórios bem como antibióticos, de forma profilática ou mesmo terapêutica. Soma-se o fato de que o uso de quimioterápicos possa infligir uma maior morbidade devido à possibilidade de mielossupressão que se manifesta por leucopenia, neutropenia, trombocitopenia e anemia.
Medicações, como os bifosfonatos, inibem a reabsorção óssea e têm propriedades antiangiogênicas. Assim, a osteonecrose dos ossos maxilares associada a bifosfonatos (OAB) resulta de uma interação complexa do metabolismo ósseo, traumatismo local, aumento da demanda para o reparo ósseo, infecção e hipovascularização. Assim se faz necessária uma cautelosa abordagem das fraturas do complexo maxilofacial.
Os traumas de face em pacientes com possibilidade de osteonecrose dos ossos maxilares e que evoluem com exposição óssea no pós-operatório devem ser abordados de forma conservadora e pontual. Tentativas de recobrir o osso exposto com retalhos podem causar mais exposição óssea e piora dos sintomas.