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É preciso, na verdade, que a alfabetização de adultos e a pós-alfabetização, a serviço da reconstrução nacional, contribuam para que o povo, tomando mais e mais a sua história nas mãos, se refaça na feitura da história. Fazer a história é estar presente nela, e não simplesmente nela estar representado. Pobre do povo que aceita, passivamente, sem o mais mínimo sinal de inquietação, a notícia, segundo a qual, em defesa de seus interesses, “fica decretado que, nas terças-feiras, se começa a dizer boa noite a partir das duas horas da tarde”. Este será um povo puramente representado, já não presente na história. Para Paulo Freire, é um contexto que contribui para o povo ser apenas “puramente representado”:
A mobilização e a organização popular, em termos realmente participatórios, tarefas eminentemente político-pedagógicas, às quais a alfabetização e a pós-alfabetização não estão alheias.
A alfabetização de adultos e a pós-alfabetização que impliquem esforços no sentido de uma correta compreensão do que é a palavra escrita, a linguagem, as relações com o contexto de quem fala, lê e escreve.
A alfabetização de adultos enquanto ato político e ato de conhecimento, comprometida com o processo de aprendizagem da escrita e da feitura da palavra, simultaneamente com a leitura e a reescrita da realidade.
Uma alfabetização de adultos que, em lugar de colocar o problema da participação política do povo na reinvenção da sua sociedade, estivesse girando em torno do “bá-be-bi-bo-bu”, a que junte falsos discursos sobre o país.