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TEXTO PARA AS QUESTÕES 19 E 20.
Leia o trecho da matéria “Identidades fluidas”, da Revista FAPESP, publicada em fevereiro de 2022:
“Ao sustentar que não existem apenas dois sexos biológicos, o psiquiatra Saulo Vito Ciasca, coordenador da área da saúde da organização Aliança Nacional LGBTI+, também reconhece a existência de múltiplas categorias envolvendo diversidades sexuais e de gênero. Partindo dessa premissa, o livro Saúde LGBTQIA+ – Práticas de cuidado transdisciplinar (Manole, 2021) apresenta resultados de pesquisas para apoiar o trabalho de profissionais da saúde com esse público. Um dos editores da obra, Ciasca recorda que alguém tipicamente caracterizado como pertencendo ao sexo masculino tem pênis, testículos, cromossomos XY e predomínio de testosterona no corpo. “Porém há situações em que o sexo genital não corresponde ao sexo cromossômico ou hormonal, de forma que o indivíduo pode ter vulva, mas seus cromossomos serem XY ou ele ter barba e voz grossa”, exemplifica. Além disso, ele cita a existência de pessoas com genitália atípica, por exemplo, com pênis e vulva, ao mesmo tempo. “Conforme nosso olhar cultural, as pessoas precisam ter pênis para ser homem ou vulva para ser mulher. Qualquer outra possibilidade é vista como má formação biológica ou um erro genético que precisaria ser corrigido, o que considero antiético”, observa Ciasca, lembrando que há culturas que reconhecem outros gêneros. Na região de Istmo de Tehuantepec, no estado mexicano de Oaxaca, eles são três: o feminino, o masculino e as chamadas muxes. Estas são pessoas não binárias de expressão de gênero feminina, isto é, pessoas que manifestam socialmente características femininas, mas não se identificam como homem, tampouco como mulher.”
Disponível em https://revistapesquisa.fapesp.br/identidades-fluidas/. Acesso em 12/11/2022
No capítulo introdutório de “Questões sociocientíficas: fundamentos, propostas de ensino e perspectivas para ações sociopolíticas”, Hodson cita Kolstø (2001) que, dentre os oito elementos de “Natureza de Ciência” necessários para o ensino de questões sociocientíficas, cita:
• “consciência da importância de fatores contextuais ao avaliar declarações de conhecimento, incluindo o estatuto social dos atores e de suas lealdades institucionais;”
• “sensibilidade para os valores, ideologias e potenciais para vieses subjacentes, no planejamento e na elaboração de relatórios de investigações científicas.”
Questões de gênero podem ser interpretadas como questões sociocientíficas a partir de uma perspectiva sociocultural, estruturante da sociedade. Sobre o ensino de evolução humana aplicado às questões de gênero, assinale a correta:
Ensinar a não-binariedade do sexo biológico nas aulas de ciências e biologia é incoerente porque tais conhecimentos são contraditórios ao ensino de evolução.
A reportagem explicita que cromossomos, hormônios e anatomia não são suficientes para definir o gênero de uma pessoa, o que tem respaldo no determinismo genético.
Ao trazer exemplo de outra cultura sobre a divisão de gêneros, o psiquiatra confirma que os termos “sexo biológico” e “identidade de gênero” são sinônimos.
Explicitar a divisão binária de gênero como arbitrária e diferente para as populações da espécie humana ajuda a separar o conhecimento biológico do social.
Pessoas com genitálias atípicas não deixam descendentes férteis e são um ótimo exemplo de como a evolução ocorre na espécie humana.