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A segunda metade do século XX viu constituir um campo de estudos pluridisciplinar denominado de Estudos Culturais, cujo próprio nome demarca que o objeto de sua investigação escapa a um domínio disciplinar específico. Por sua amplitude, é difícil demarcar os traços daquilo que configura e delimita os Estudos Culturais. Todavia, duas ideias são basilares e formam o núcleo do campo. São elas:
a cultura e o poder são termos indissociáveis e os agentes humanos são ativos (e não simplesmente passivos) na produção do mundo material e simbólico que os enreda.
os agentes humanos são heterodeterminados pelas relações de poder e os indivíduos possuem pouca ou nenhuma margem de ação diante das estruturas sociais.
o poder é uma força localizada e circunscrita à figura do Estado e o estudo da cultura dos grupamentos humanos deve abordá-los como se fossem coisas, no sentido durkheimiano.
o livre arbítrio dos indivíduos comanda a sociedade e os agentes humanos agem e transformam o mundo conforme suas livres vontades, portanto, sem determinações sociais, políticas ou econômicas.