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Texto para questões de 78 a 80
O conceito de língua de acolhimento refere-se à aprendizagem de uma língua não materna em contextos de migração. O objetivo principal dessa formação linguística e cultural é a inserção dos sujeitos migrantes à sociedade de acolhimento. Dito de outro modo, o que caracteriza o ensino de língua de acolhimento é principalmente a especificidade do público a ser atendido. Trata-se, pois, de pessoas que chegam ao novo país, geralmente com poucos recursos financeiros e desgastadas pelo processo migratório, tendo, em alguns casos, essa condição agravada pelo rompimento brusco de laços familiares, linguísticos e culturais. Desse modo, o conhecimento da língua do país de acolhimento não é apenas uma condição necessária e indispensável para ser autônomo. Trata-se da apropriação da língua do país de acolhimento como uma forma de inserção e de compreensão ampliada daquele novo espaço. A necessidade de comunicação diária no trabalho, no transporte, nas questões ligadas à saúde e às relações interpessoais faz parte desse processo de aprendizagem do que denominamos “língua de acolhimento”.
BARBOSA, L. M. A.; SILVA, J. F. S. Português como Língua de Acolhimento na Educação Básica: reflexões iniciais sobre PLAc. Disponível em: https://avamec.mec.gov.br. Acesso em: 19 maio 2025 (adaptado).
O ensino de Língua Portuguesa em comunidades quilombolas exige práticas pedagógicas que considerem não apenas o domínio da norma-padrão, mas também as dimensões históricas, identitárias e sociolinguísticas desses territórios. Nessas comunidades, o pretuguês – variedade linguística de base africana resultante de processos de resistência e de ressignificação – expressa práticas comunicativas que desafiam a hegemonia da norma culta e revelam outras formas legítimas de uso da língua. No contexto de políticas de Português como Língua de Acolhimento (PLAc), a valorização de repertórios diversos é central para uma educação linguística equitativa e comprometida com os direitos linguísticos dos sujeitos.
Considerando essa perspectiva, assinale a alternativa que apresenta uma abordagem pedagógica coerente com os princípios de equidade linguística e de inclusão educacional.
O trabalho pedagógico deve priorizar o domínio da norma-padrão, representando um instrumento necessário para o acesso dos estudantes a oportunidades acadêmicas e profissionais no Brasil.
Variedades como o pretuguês podem ser admitidas de forma complementar, desde que se priorizem os usos previstos na norma-padrão da Língua Portuguesa.
A valorização das variedades linguísticas quilombolas no ensino da Língua Portuguesa, como o pretuguês, fortalece a construção identitária e promove o pertencimento dos estudantes no espaço escolar.
A unificação das práticas linguísticas escolares é fundamental para garantir coesão comunicativa, sendo importante priorizar os usos regionais em espaços não formais da comunidade.