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“Tudo está em movimento, em constante fluxo de energia, em processo de mudança, incluindo o pensamento, no que diz respeito à forma a ao conteúdo; assim também o conhecimento produzido, comunicado e transformado no pensamento. [...] Em vez da ordem, temos a desordem crescente, a criatividade e o acidente. Do caos, surgem a esperança, a criatividade, o diálogo e a auto-organização construtiva. No lugar da estabilidade e do determinismo, temos a instabilidade, as flutuações e as bifurcações. [...] Estamos imersos num universo menos previsível, mais complexo, dinâmico, criativo, pluralista, numa dança permanente. Se o mundo que nos cerca é tão imprevisível e sujeito a tantas variações e a tanta criatividade, como conviver com uma educação fundamentada no estudo do comportamento, nos usos e costumes dominantes transferidos através do tempo por comportamentos reforçados, em que homem, mundo e natureza são coisas separadas? [...] Como conviver com uma escola burocrática, hierárquica, rígida, estruturada e organizada por especialidades ou funções , com visão fragmentada do conhecimento e, consequentemente, da prática pedagógica, com sistemas rígidos de controle, dissociada do mundo e da vida?”
MORAES, Maria Cândida. O paradigma educacional emergente. Campinas, SP: Papirus, 1997. Coleção Práxis.
A autora Maria Cândida Moraes, nessas reflexões, discute o paradigma educacional emergente, que pressupõe a compreensão de que somos cidadãos do mundo e que temos direito de estar suficientemente preparados para nos apossarmos de instrumentos de nossa realidade cultural.
Sobre o paradigma educacional emergente, assinale a alternativa CORRETA:
Nesse paradigma, o foco da escola mudou, pois sua missão é atender ao aprendiz, ao usuário, ao estudante. A escola tem um usuário específico, com necessidades especiais, que aprende, representa e utiliza o conhecimento de forma diferente, já que compreende que nem todas as pessoas têm os mesmos interesses e as mesmas habilidades e nem todas aprendem da mesma maneira.
O paradigma educacional emergente considera o mundo em permanente evolução e a escola como espaço de promoção do aprender a aprender, em que a assimilação de um conhecimento depende da auto-organização do indivíduo como espectador da realidade, capaz de construir conhecimento e desenvolver autonomia.
O currículo instrucional, nesse paradigma, vê o ensino como determinante da aprendizagem, construído e em ação, flexível, em processo, em diálogo aberto, eclético, interpretativo. Leva em consideração a interdisciplinaridade e reconhece a relação entre conteúdos disciplinares e a cultura.
A educação considera as possibilidades do momento, a incerteza, a probabilidade de que certos eventos ocorram amparados numa visão distorcida da realidade educacional e, por isso, esse paradigma pressupõe objetivos predeterminados, em que a educação como um sistema fechado, permite alguma segurança e previsibilidade ao aprendiz.
Nesse paradigma, quem educa também aprende, transforma-se no próprio ato de educar. O educador aceita as certezas das coisas, a determinação da realidade e a complexidade das relações, encoraja as diferentes formas de diálogo e catalisa a intercomunicação existente entre elas, o que implica mudanças na visão intelectual e social dos papéis do professor.


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