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Fundamentada pelas teorias de Vygotsky, uma professora de...

Texto para questões de 44 a 46


Minha cidade


Goiás, minha cidade…

Eu sou aquela amorosa

de tuas ruas estreitas,

curtas,

indecisas,

entrando,

saindo

uma das outras.

Eu sou aquela menina feia da ponte da Lapa.

Eu sou Aninha.


Eu sou aquela mulher

que ficou velha,

esquecida,

nos teus larguinhos e nos teus becos tristes,

contando estórias,

fazendo adivinhação.

Cantando teu passado.

Cantando teu futuro.


Eu vivo nas tuas igrejas

e sobrados

e telhados

e paredes.


Eu sou aquele teu velho muro

verde de avencas

onde se debruça

um antigo jasmineiro,

cheiroso

na ruinha pobre e suja.


Eu sou estas casas

encostadas

cochichando umas com as outras.

Eu sou a ramada


dessas árvores,

sem nome e sem valia,

sem flores e sem frutos,

de que gostam

a gente cansada e os pássaros vadios.


Eu sou o caule

dessas trepadeiras sem classe,

nascidas na frincha das pedras:

Bravias.

Renitentes.

Indomáveis.

Cortadas.

Maltratadas.

Pisadas.

E renascendo.


Eu sou a dureza desses morros,

revestidos,

enflorados,

lascados a machado,

lanhados, lacerados.

Queimados pelo fogo.

Pastados.

Calcinados

e renascidos.

Minha vida,

meus sentidos,

minha estética,

todas as virações

de minha sensibilidade de mulher,

têm, aqui, suas raízes.


Eu sou a menina feia

da ponte da Lapa.

Eu sou Aninha.


CORA CORALINA. Poemas dos becos de Goiás e estórias mais.

São Paulo: Global, 2006.

Fundamentada pelas teorias de Vygotsky, uma professora de História utilizou o poema de Cora Coralina, no Ensino Fundamental, com o objetivo de trabalhar os conceitos de patrimônio material e imaterial, pois


A

mantém-se a assertiva de que os conceitos espontâneos e os científicos são antagônicos, pressupondo que o primeiro se constitui impeditivo para a constituição dos conceitos científicos.


B

reconhecem-se, na aquisição social dos conceitos, os estágios do desenvolvimento cognitivo e a distinção entre os conceitos espontâneos e os conceitos científicos, demonstrando sua interferência mútua.


C

produz-se a interpretação fundamentada na dimensão histórica de que os conceitos são criados culturalmente e elaborados por sujeitos históricos pretéritos, mantidos pela tradição, distante das influências emocionais.


D

enfatiza-se que a interação do sujeito com fatores externos da vida social é relevante no domínio dos conceitos, e o aspecto biológico é mais decisivo nesse processo, sendo o indivíduo um ser universal sempre capaz de aprender.