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"A avaliação formativa não deve ser compreendida como mero procedimento técnico de aferição, mas como processo dialógico que retroalimenta o ensino, fornece dados qualitativos ao professor e permite ao aluno compreender sua própria trajetória de aprendizagem. Sua efetividade depende de uma mudança paradigmática na relação professor-aluno, superando o caráter classificatório da avaliação somativa. (Adaptado de LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez, 2011.)"
Uma professora do 4.º ano aplica portfólios avaliativos mensais, registra as dificuldades percebidas e reorganiza seu planejamento com base nesses dados. Ao final do semestre, aplica uma prova dissertativa para atribuição de notas. Considerando as funções e os paradigmas avaliativos, é correto afirmar que:
A professora articula avaliação formativa e somativa de modo funcionalmente complementar: os portfólios cumprem função diagnóstica e reguladora do processo de aprendizagem, enquanto a prova final atende à função certificatória institucional, sem que as lógicas distintas de cada instrumento se anulem mutuamente.
Os portfólios mensais, ao acumularem registros qualitativos longitudinais sobre o desempenho dos alunos, já satisfazem as condições epistemológicas da avaliação somativa, tornando a prova final um instrumento concorrente que pode fragmentar a coerência da leitura processual da aprendizagem.
A professora adota uma perspectiva predominantemente formativa, uma vez que a regularidade dos portfólios ao longo do semestre confere à prova final um caráter secundário na produção de evidências de aprendizagem, subordinando a função certificatória à função reguladora do processo.
A articulação descrita opera sob uma tensão paradigmática não resolvida, pois a coexistência de instrumentos formativos e certificatórios em uma mesma prática docente tende a produzir ambiguidade nos critérios de julgamento e comprometer a consistência interpretativa dos dados avaliativos.