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As cem linguagens da criança
A criança é feita de cem.
A criança tem cem mãos, cem pensamentos, cem modos de pensar de jogar e de falar.
Cem, sempre cem modos de escutar de maravilhar e de amar.
Cem alegrias para cantar e compreender.
Cem mundos para descobrir.
Cem mundos para inventar.
Cem mundos para sonhar.
A criança tem cem linguagens (e depois cem, cem, cem), mas roubaram-lhe noventa e nove.
A escola e a cultura lhe separam a cabeça do corpo.
Dizem-lhe:
de pensar sem as mãos, de fazer sem a cabeça, de escutar e de não falar, de compreender sem alegrias, de amar e de maravilhar-se, só na Páscoa e no Natal.
Dizem-lhe:
de descobrir um mundo que já existe e de cem roubaram-lhe noventa e nove.
Dizem-lhe:
que o jogo e o trabalho, a realidade e a fantasia, a ciência e a imaginação, o céu e a terra, a razão e o sonho são coisas que não estão juntas.
Dizem-lhe enfim:
que as cem não existem.
A criança diz:
Ao contrário, as cem existem.
Fonte: Loris Malaguzzi. Disponível em: < https://www.educlub.com.br/as-cem-linguagens-da-crianca-poema-de-loris-malaguzzi/>
De acordo com o texto e relacionando-se com as suas noções básicas nas áreas afetiva, psicomotora e cognitiva da criança. Marque abaixo a alternativa que se correlaciona com a ideia do texto.
O poema remete às cem maneiras diferentes da criança pensar, sentir, falar, inventar, sonhar, no entanto, segundo a poesia os adultos roubam noventa e nove dessas cem linguagens das crianças.
Conforme observa-se no poema as crianças, demoram a desenvolver os conhecimentos cognitivos, por isso, vivem num mundo de fantasia.
O poema é uma crítica às crianças passivas, que não são sujeitos do seu aprendizado.
De acordo com o poema existe uma sátira ao conhecimento advindo do processo educacional e que o mesmo deve ser extinto em prol dos conhecimentos inatos.
No poema o termo "cem" não equivale a ideia do número 100, mas sim equivale a ideia de não ter algo ou no sentido de faltar alguma coisa.