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Discutindo os discursos oficiais dos governos em torno do enfrentamento do analfabetismo, Ferreiro (Com todas as letras, 2000) constata a mobilização de “linguagem militar ou linguagem dos órgãos de saúde pública”, sendo que “batalhas contra o analfabetismo” e “erradicação do analfabetismo” são expressões comuns.
Assinale a alternativa que expressa a posição da autora, refletida no documento final da reunião preparatória do Ano Internacional da Alfabetização, acerca dessas expressões.
A caracterização do analfabetismo como guerra ou enfermidade é imprescindível para o enfrentamento público desse flagelo.
Termos como esses fazem do analfabetismo um problema maior do que ele é, uma vez que a alfabetização deve ser uma opção individual de cidadãos livres.
Essas expressões produzem efeito negativo sobre os analfabetos, pois reforçam o sentimento de inferioridade, exclusão e marginalidade.
A compreensão do analfabetismo como “praga” ou “epidemia” é o modo mais preciso de diagnosticar um problema uniformemente distribuído pelo mundo.
A terminologia médica, mais do que metafórica, é conceitualmente exata, pois o analfabetismo é hoje compreendido como condição médico-patológica.