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Ao fazer indagações sobre o currículo e os modos como os conhecimentos escolares são produzidos e selecionados para um determinado ano de escolaridade, os pesquisadores brasileiros Moreira e Candau (2007) destacam o problema da descontextualização dos saberes e das práticas. Para eles, esse problema tem como consequência o fato de que:
o estudante aprende simplesmente o produto, o resultado de um longo trajeto, cuja complexidade se perdeu, pois os livros didáticos não costumam incluir, entre os conteúdos selecionados, os debates, as discordâncias, os processos de revisão e de questionamento que marcam os conhecimentos e os saberes em muitos de seus contextos originais
a escola se vê obrigada a evitar o uso de algumas páginas dos livros didáticos, uma vez que o nível de aprendizagem dos estudantes encontra-se abaixo da média esperada, o que, na percepção da equipe pedagógica, inviabiliza o desenvolvimento das propostas didáticas em sua plena complexidade
os professores sentem dificuldade de aprofundar as temáticas abordadas nos livros didáticos, uma vez que sua formação inicial se mostra insuficiente para sustentar debates mais complexos e para responder a questionamentos que exigem maior embasamento teórico e domínio conceitual
as famílias questionam o nível de dificuldade que os estudantes enfrentam ao tentar resolver os desafios propostos nos livros didáticos, manifestando dúvidas quanto à adequação desses materiais ao ano de escolaridade